Atualizado em 17/02/2012 6h00
Justiça condena Lindemberg Alves a 98 anos de prisão pela morte de Eloá
Durou cerca de 50 horas o julgamento do motoboy Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, em 2008, em um conjunto habitacional no Jardim Santo André. Ontem, defesa e acusação realizaram os debates até as 16 horas e depois a juíza Milena Dias reuniu os jurados na sala secreta explicou todos os quesitos, ao todo 49. Os jurados estiveram reunidos por mais de 3 horas para definir sobre os quesitos. E a magistrada arbitrou pena máxima nos 12 crimes pelos quais o réu responde, subtraídas alguns atenuantes, a pena chegou a 98 anos e 10 meses em regime inicialmente fechado.
De cabeça baixa, Lindemberg ouviu a sentença. A juíza relatou que os quatro dias de julgamento foram desgastantes e em sua decisão Milena destacou a frieza do réu o qual descreveu com "personalidade avessa às normas de convívio social".
Lindemberg foi condenado pelo assassinato de Eloá, por duas tentativas de homicídio, contra Nayara Rodrigues e o policial Atos Valeriano, pelo crime de cárcere privado multiplicado por cinco vezes e por porte de arma.
Durante sua fala, nos debates ontem, no Fórum de Santo André, a advogada de defesa de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad, disse que seu cliente será bode expiatório, e sugeriu que ele fora condenado por sua condição financeira. "Lindemberg é a bola da vez, o bode expiatório. Isso acontece só porque ele é pobre". A defensora disse que o réu não tinha a intenção de matar quando cometeu o crime e pediu que ele fosse condenado na modalidade culposa. "Peço que os senhores condenem o Lindemberg pelo homicídio culposo, pois ele não desejou o resultado. Ele sofre pela morte dela", declarou.
Foi determinado ainda pela juíza, para que o Ministério Público abra investigação contra a advogada de defesa, que no segundo dia de julgamento disse à presidente do júri que esta "precisava voltar a estudar". Ela pode ser processada por crime contra a honra.
A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, deu declarações em tom de alívio após mais de três anos de espera pelo julgamento. "Nada vai suprir a minha dor, mas foi feita Justiça, a certeza de que ele (Lindemberg) não vai mais fazer isso com ninguém".

Fonte: G1