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'As pessoas não aprenderam a lição e continuam fazendo piadinhas', diz aluno sobrevivente de ataque a colégio em Medianeira

Brasil | 14/03/2019 | 14:25 |
| Fotos: Bruna Kobus/RPC |
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O adolescente Bruno Facundo, de 15 anos, que sobreviveu ao ataque ao Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira, no oeste do Paraná, disse ter recebido com tristeza a notícia do massacre na escola estadual em Suzano (SP), na quarta-feira (13).

“Depois do que aconteceu ontem, fico bem triste porque mesmo com todas as consequências as pessoas ainda não aprenderam a lição e continuam fazendo piadinhas, brincadeiras, que acabam provocando situações como esta”, comentou Bruno.

Os pais do adolescente também se disseram surpresos e ficaram emocionados ao saber de um novo ataque, ainda mais grave, já que ao menos dez pessoas morreram e várias ficaram feridas.

“Acabei chorando de ver todas aquelas crianças. Me coloquei no lugar das mães que estavam vivendo aquele momento. No nosso caso a tragédia não foi daquela forma, mas não tem como não lembrar, se emocionar e saber que elas vão ter que lidar com esse problema”, disse a mãe de Bruno, Gigliori Facundo.

Bruno continua se recuperando da lesão que sofreu na coluna e que prejudicou parte dos movimentos do lado esquerdo e aos poucos está retomando a rotina. Ele está cursando o segundo ano do ensino médio no mesmo colégio, faz aulas de inglês e também voltou a tocar na fanfarra, onde foi convidado a ser professor de instrumentos de sopro.

Segundo a polícia, o atirador que invadiu o colégio em Medianeira no dia 28 de setembro de 2018 junto com outro adolescente vinha sofrendo bullying. Ele foi condenado a cumprir medida socioeducativa por tempo indeterminado.

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Prevenção e combate ao bullying

Para evitar novos casos, o Ministério Público Estadual (MP-PR) recomendou que fossem adotadas medidas de prevenção e combate ao bullying e atos infracionais no ambiente escolar.

Entre as ações estão a criação de um grupo coordenado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em parceria com a Secretaria de Assistência Social, o Conselho Tutelar, a Polícia Civil e escolas, responsável por ciclos de palestras, acompanhamento psicológico e fortalecimento familiar.

“Nós passamos a trabalhar basicamente dois pontos, a importância do respeito ao outro, com suas diferenças, e o fortalecimento, porque percebemos que assim como tem aumentado a agressividade, tem aumentado também a fragilização. Às vezes a pessoa não responde a ofensa na hora. Ela vai guardando e uma hora vai explodir”, aponta o presidente do Conselho dos Direitos da Criança, Antônio Carlos Pereira.

Ele destaca ainda que a estruturação familiar é fundamental para se perceber quando as crianças e adolescentes estão com algum problema.

“A estruturação familiar é o que dá esse suporte e que pode servir de válvula de escape de uma ofensa recebida na escola. Por isso a importância do convívio e da presença. Se eu não conheço meu filho, não vou reconhecer quando ele não está bem. Outras instituições como a escola e a igreja vêm para ajudar, mas a família precisa voltar para casa”, observa Pereira.

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