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Presidente reeleito da África do Sul toma posse

Mundo | 25/05/2019 | 10:45 |
| Fotos: Associated Press |
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O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, tomou posse neste sábado (25) para um novo mandato de cinco anos como presidente. O partido dele, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), recebeu 58% dos votos nas últimas eleições, realizadas no dia 8.

Na cerimônia, Ramaphosa pediu que o país busque "uma extraordinária façanha de empreendimento humano". Ele vai precisar enfrentar as altas taxas de desemprego, corrupção e desigualdade social no país, além de problemas históricos relacionados à distribuição de terras.

"Os desafios que nosso país enfrenta são enormes e reais. Mas eles não são intransponíveis. Eles podem ser resolvidos. E eu estou aqui hoje dizendo que eles serão resolvidos", disse Ramaphosa a cerca de 30 mil pessoas na capital, Pretória, entre elas vários líderes de países africanos.

Ramaphosa prometeu uma nova era, na qual líderes políticos melhorarão a vida das pessas em vez de enriquecerem. Ele pediu um estado livre de corrupção e "recursos desperdiçados", e instigou os sul-africanos a acabarem com a pobreza em uma geração.

Blog da Sandra Cohen: Presidente da África do Sul precisará derrotar também inimigos dentro de seu partido

Ambas seriam imensas conquistas: a corrupção e a má administração consumiram bilhões de rands, e a África do Sul é um dos países com maior desigualdade no mundo, segundo o Banco Mundial (BM).

A posse de Ramaphosa ocorreu pouco mais de duas semanas depois da vitória de seu partido, o ANC, nas eleições – que ocupa o poder no país desde 1994, quando acabou o apartheid. A porcentagem dos votos conquistados nestas eleições foi a menor em toda a história.

Primeiro mandato

Ramaphosa tomou posse no ano passado, depois que o ex-presidente Jacob Zuma foi pressionado a renunciar em meio a escândalos de corrupção. Ex-protegido de Nelson Mandela, Ramaphosa é visto por muitos como tendo o potencial de limpar a reputação do governo e do partido no poder. Sem ele, o ANC provavelmente teria recebido apenas 40% dos votos, disse um líder do partido, Fikile Mbalula.

Zuma, que alega inocência em relação às acusações contra ele, não estava na cerimônia deste sábado. Os aliados dele dentro do ANC representam um desafio para Ramaphosa, que procura fazer reformas.

A determinação do presidente de impor uma governança limpa será testada com a nomeação de seu novo gabinete nos próximos dias. Ele enfrenta pressão dos partidos de oposição e da sociedade civil para reduzir o número de ministros — agora são 34 — e nomear aqueles que estão livres de escândalos.

Em um sinal de que seus esforços estão dando certo, o ex-vice-presidente David Mabuza não foi empossado como membro do Parlamento devido a um relatório incriminador da comissão de integridade do ANC. Por enquanto, Ramaphosa está sem um substituto.

No discurso no sábado, o presidente também falou sobre a frustração do público com o desemprego, a entrega desigual de serviços básicos e o legado da desigualdade. O desemprego está acima de 25% e grande parte da riqueza do país e alavancas privadas de poder são mantidas pela minoria branca.

"Muitos sul-africanos ainda vão dormir com fome", disse Ramaphosa. "Muitos vivem vidas de privação intolerável. Muitos de nossos cidadãos não trabalham, especialmente os jovens."

Um desafio para o presidente nos próximos anos é envolver possíveis eleitores da geração "Nascidos Livres" da África do Sul — aqueles que nunca experimentaram o apartheid e que, ao contrário de seus pais, veem o CNA não como um partido de libertação, mas um sobre qual há expectativas para o futuro.

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