Programa Família e Escola em Ação debate a violência contra a mulher em evento em Toledo


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O Centro Cultural Ondy Hélio Niederauer foi palco, na última terça-feira (23), de um encontro do Programa Família e Escola em Ação. Neste ano, o evento desenvolveu dois temas: ‘Reflexões sobre a Aprendizagem e Violência’ e ‘Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres’. A ação foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) e contou com a participação de servidores da pasta, da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), além de autoridades municipais e representantes de universidades. 

A intenção de reunir os setores era debater a influência das políticas econômicas, sociais e culturais nas famílias e como a discussão dessa interferência pode realizar mudanças de comportamento em relação às diversas violências. Conforme a secretária da Smed, Elisangela Batista, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, de acordo com o Artigo 205 da Constituição Federal. “É papel da sociedade incentivar e promover esse fator, por isso a escola passa a ser entendida como espaço na efetivação dos direitos”, explica.   

 

Durante a abertura do evento, a secretária de Política para Mulheres, Jennifer Teixeira, citou números da violência. Segundo ela, 81,5% dos feminicídios foram praticados pelo ex-companheiro e os serviços de proteção à mulher recebem 1,3 chamadas por minuto. Em Toledo, em 2020 foram registrados 25 novos casos de violência contra a mulher, enquanto até a data atual, em 2021, já foram somados 89, um aumento de 256%. “É por isso que hoje o foco central dos debates é a questão da violência. Infelizmente, não chegamos nestes encontros para falar de bons programas, de avanços em relação a melhorar a condição de vida das mulheres, pois estamos sendo violentadas fisicamente, psicologicamente e socialmente”, disse Jennifer emocionada.  

Neste ano, conforme dados da SPM, nove mulheres violentadas foram inseridas no Programa Emancipar, que atende famílias e indivíduos em situação de risco social e pessoal em decorrência de violação de direitos e rompimento de vínculos familiares por meio de transferência de renda e oferta de serviços públicos. “Só temos que enaltecer todo o trabalho que vocês realizam para melhorar a vida destas pessoas que tanto necessitam dessa atenção”, disse o representante do Legislativo Municipal no evento, vereador Beto Scain.  

Para o prefeito Beto Lunitti, a discussão sobre a temática precisa ser realizada e os órgãos públicos não podem mais se fechar para essa realidade. “Temos que investir, colocar a economia, deste município pujante, a serviço destas pessoas que precisam. É um dever de todos os cidadãos. Muitos precisam ser olhados e cuidados. Esse é o papel de um governo”. Lunitti ainda lembrou das diversas políticas a serem implementadas, entre elas a da Central de Libras, onde todos poderão ser atendidos com qualidade. “Até mesmo dentro de um consultório médico, será possível acessar o tradutor”. 

O chefe do Executivo Municipal ainda citou a atenção aos imigrantes, hoje importantes também para o desenvolvimento econômico, pois são eles são trabalhadores ocupando seus espaços e gerando riquezas para o município. “Tem uma cultura diferente que precisa ser compreendida e respeitada. Porém, é preciso uma ponte governamental para que isso ocorra”. Além disso, Beto citou o atendimento à criança, ao idoso e à juventude. “Tudo fará parte da nossa Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano. Vamos cuidar de todos que necessitam”, reforçou. 

A mesa temática começou logo após as manifestações das autoridades municipais, com a mediação da professora Arlete Frank, coordenadora da área de Língua Portuguesa da Smed. Para as explanações foram convidadas as psicólogas Sandra Cristina Boufler, especialista no atendimento de crianças, adolescentes, adultos e idosos e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), e Adriana Dias Basseto, com experiência em psicologia jurídica, na abordagem fenomenológico-existencial e na atuação do psicólogo jurídico, além das representantes da SPM, a assistente social Suzamar Jandrey Dorfschmidt, e a psicóloga Cristine Bolzan Cogo. A mesa temática começou logo após as manifestações das autoridades municipais, com a mediação da professora Arlete Frank, coordenadora da área de Língua Portuguesa da Smed. 

Apresentação - O evento contou com um momento cultural e de reflexão com a dança ‘Quando o Amor Acaba a Violência Assume’, coreografia de Luciane Kerber, executada pelos bailarinos Sarah Hubner e Juliano de Moura. A peça é pautada na pesquisa acerca da violência contra a mulher, onde o homem mantém como exclusiva suas vontades, mantendo a mulher submissa aos seus desejos e poder. Os bailarinos retratam e passam pelas três fases do ciclo da violência: aumento da tensão, ato de violência e arrependimento. “Porém quisemos demonstrar o início e fim de um relacionamento abusivo, onde outras fases podem ser encontradas, inclusive fins trágicos”, explica Luciane.