Síndrome de Irlen: quando o cérebro enxerga o mundo com ‘luzes erradas’


Imagine tentar ler um livro com uma lanterna piscando bem na sua frente. Ou assistir a um filme enquanto a tela brilha demais e as imagens parecem “borradas”. É mais ou menos assim que uma pessoa com Síndrome de Irlen enxerga o mundo — ainda que seus olhos estejam perfeitamente saudáveis.

A Síndrome de Irlen (ou Síndrome da Sensibilidade Escotópica) não é um problema de visão tradicional, como miopia ou astigmatismo. É um distúrbio de percepção visual, que acontece porque o cérebro interpreta de forma diferente a luz e as cores que chegam pelos olhos.

Em outras palavras: o problema não está nos “olhos”, mas sim na “central de processamento” — o cérebro.

A cor branca pode causar o efeito de uma luz contra os olhos

Muita gente com Irlen conta que o fundo branco da página parece brilhar demais, causando dor de cabeça, cansaço ou enjoo. O mesmo desconforto acontece próximo de paredes brancas, ou objetos.

Para ilustrar, é como tentar ler uma folha de papel com o reflexo do sol batendo direto nos olhos: dá pra ler, mas é desconfortável e exige muito esforço.

Por isso, pessoas com Irlen costumam ler mais devagar, perder a linha com frequência ou evitar atividades que envolvem leitura por muito tempo. Às vezes, são confundidas com alunos desatentos ou preguiçosos — quando, na verdade, estão apenas tentando se adaptar a uma sobrecarga visual constante.

A luz, propriamente dita, também incomoda

Além da leitura, ambientes com luz forte, brilho excessivo ou contrastes muito grandes também podem causar incômodo. É comum que quem tem Irlen se sinta mal sob luz fluorescente, ou fique tonto em supermercados muito iluminados, por exemplo.

É como se o cérebro estivesse “sem filtro” e recebesse toda a luz de uma vez, sem conseguir equilibrar o que vê.

Como descobrir

O diagnóstico da Síndrome de Irlen é feito por profissionais treinados, por meio de testes específicos que avaliam como a pessoa percebe as cores, as luzes e os contrastes.

Muitas vezes, a pessoa já passou por exames de vista que não encontraram nada. É muito comum que os profissionais encarem os sintomas como sendo fotofobia, ou sensibilidade convencional à luzes. Portanto, na maoiria dos casos são recomendadas lentes solares para óculos, lentes antirreflexo ou mesmo com filtro de luz azul, o que não resolve o problena.

E o tratamento?

A boa notícia é que existe uma forma simples de aliviar os sintomas: filtros e lentes coloridas personalizadas.

Esses filtros, aplicados em óculos ou lâminas transparentes, “ajustam” a forma como a luz chega ao cérebro, ajudando a pessoa a enxergar com mais conforto e foco.

É como colocar uma lente que “desliga” a luz piscando e deixa o texto estável e nítido novamente.

Por que é importante falar sobre isso

Muita gente vive anos sem saber que tem Síndrome de Irlen. Crianças podem ser rotuladas como “distraídas” ou “com dificuldade de aprendizado”, quando na verdade só precisam de um ambiente visual mais adequado.

Falar sobre o tema ajuda a identificar cedo e evitar frustrações, especialmente na escola e no trabalho.

Em resumo

A Síndrome de Irlen é uma questão de como o cérebro enxerga, e não de problema ocular.

Com o diagnóstico certo e o uso das lentes corretivas, a leitura deixa de ser uma batalha contra o brilho — e passa a ser, novamente, uma janela aberta para o mundo.

➡️ WhatsApp: (45) 9.9917-2003 (Clique para chamar)
Rua Barão do Rio Branco, 1625 Centro