Carlo Ancelotti, 66, costuma citar sua experiência no Carnaval do Rio de Janeiro quando fala sobre futebol, relacionando o sucesso dentro de campo à mistura de ginga, criatividade e disciplina. O italiano, que assumiu a seleção brasileira em 2025, assistiu no Sambódromo da Marquês de Sapucaí à primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial deste ano e ficou impressionado.
O desfile mais elogiado daquela noite foi o da Imperatriz Leopoldinense, com o enredo “Camaleônico”, homenagem ao cantor Ney Matogrosso. O título acabou servindo também para definir o perfil de Ancelotti, conhecido justamente pela capacidade de se adaptar a diferentes contextos e estilos ao longo da carreira.
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Casa Maringá ImportadosCarletto construiu sua trajetória como um técnico maleável, disposto a ajustar o modelo de jogo conforme os jogadores disponíveis. Enquanto o futebol europeu viveu debates entre o jogo de posse de Pep Guardiola, a retranca de José Mourinho e a pressão intensa de Jürgen Klopp, Ancelotti conquistou títulos adotando diferentes estilos, sem se prender a um único modelo.
“Meu estilo é vencer”, costuma brincar o treinador, em uma frase que mistura confiança e ironia.
Nos últimos dias, os brasileiros descobriram que essa capacidade de adaptação vai além da parte tática. E foi justamente isso que abriu espaço para a convocação de Neymar.
Até poucos dias antes da divulgação da lista para a Copa do Mundo, pessoas próximas ao treinador consideravam improvável a presença do camisa 10 entre os convocados. O entendimento era de que Neymar, pelas condições físicas e pelo histórico recente de lesões, não se encaixava no planejamento técnico. Também havia dúvidas sobre sua influência no grupo.
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Mas, diante da pressão popular, da repercussão midiática e até de manifestações públicas de outros jogadores, Ancelotti mudou de ideia. João Pedro, de 24 anos, chegou a fazer campanha pela presença do ídolo e acabou perdendo a vaga para ele.
“Futebol não é uma ciência exata”, afirmou Ancelotti ao justificar a convocação de Neymar, que pouco atuou nas últimas temporadas e voltou a sofrer problemas físicos.
“Não dá para dizer que uma opinião está certa e outra errada. Na medicina, o médico consegue dizer o que é correto. No futebol, não funciona assim”, explicou.
As críticas vieram rapidamente. Parte da torcida e da imprensa questionou a escolha, enquanto surgiram teorias ligando a convocação à renovação contratual do treinador até a Copa de 2030 e à influência de patrocinadores.
Ancelotti, porém, demonstrou tranquilidade diante da repercussão.
“Todo mundo pode ter opiniões diferentes. No fim, sou eu quem precisa tomar a decisão. Felizmente, hoje ninguém pode dizer que o treinador errou. É preciso esperar até o fim de julho”, afirmou, repetindo sua tradicional expressão de levantar a sobrancelha esquerda.
Além do carisma, o italiano possui um currículo praticamente incontestável. É o técnico com mais títulos da Liga dos Campeões, com cinco conquistas, além de ter vencido os campeonatos nacionais das cinco principais ligas da Europa: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França.
Em um de seus livros, “Quiet Leadership” (“Liderança Silenciosa”), lançado em 2016, Ancelotti define sua forma de comandar baseada em três pilares: escuta, respeito e gestão de egos. É essa combinação que ajuda a explicar tanto o retorno de Neymar quanto a capacidade do treinador de potencializar jogadores de perfis completamente diferentes, como Kaká e Cristiano Ronaldo.
No desfile da Imperatriz, o carnavalesco Leandro Vieira definiu Ney Matogrosso como alguém de muitas formas, incluindo “um xamã tupiniquim ornado de miçangas, penas de papagaio e delírios quiméricos”.
Já no evento organizado pela CBF para a convocação da seleção, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, Ancelotti entrou no clima brasileiro e dançou discretamente conforme a música.
Agora, a expectativa dos torcedores é que a versatilidade do treinador também se transforme em resultados dentro de campo e ajude o Brasil na busca pelo hexacampeonato mundial.Raio-X
Carlo Ancelotti, 66
Nome
Carlo Michelangelo Ancelotti
Nascimento
10 de junho de 1959, em Reggiolo (ITA)
Clubes como treinador
Reggiana, Parma, Juventus, Milan, Chelsea, PSG, Real Madrid, Bayern, Napoli e Everton
Jogos à frente da seleção brasileira
10
Copas no currículo
1986 (jogador), 1990 (jogador) e 1994 (auxiliar)
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