A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos convida a olhar para Maria e, ao mesmo tempo, para o nosso próprio destino. Aquilo que Deus realizou nela anuncia o que deseja realizar em todos nós. Não fomos criados para a morte, mas para a vida. Não caminhamos para o vazio, mas para o encontro definitivo com Deus. Por isso, a Assunção é uma grande festa da esperança cristã.
São Paulo proclama que "o último inimigo a ser destruído é a morte". Para quem acredita em Cristo ressuscitado, a morte não possui a última palavra. A última palavra pertence a Deus e sua palavra é vida. Em Maria contemplamos antecipadamente essa promessa. Ela já participa plenamente daquela vida para a qual todos fomos criados. Por isso, a Igreja a contempla como sinal de consolação e de segura esperança para o povo de Deus ainda peregrino sobre a terra.
Tudo em Maria nos conduz a Jesus Cristo. Diante do anúncio do anjo, ela respondeu: "Faça-se em mim segundo a tua palavra". Colocou a sua existência nas mãos de Deus e permitiu que Ele conduzisse a sua história. Depois de acolher Jesus, Maria não permanece fechada em si mesma. Parte ao encontro de Isabel. Recebe Cristo e leva Cristo. A mulher evangelizada torna-se evangelizadora.
É nesse encontro que Maria canta o Magnificat: "A minha alma engrandece o Senhor". Seu cântico revela o Deus em quem ela acredita. É o Deus que olha para os pequenos, manifesta a sua misericórdia, eleva os humildes, sacia os famintos e permanece fiel às suas promessas.
Maria é a mulher da esperança. Sua esperança, porém, não foi ingênua. Ela conheceu a pobreza, a insegurança, a incompreensão e a dor. Permaneceu junto à cruz quando tudo parecia perdido e continuou acreditando. A Assunção é a confirmação de que nenhuma vida entregue a Deus termina no fracasso.
No Brasil, nesta celebração, recordamos também a vocação à Vida Religiosa Consagrada. Existe uma profunda sintonia entre Maria e os consagrados. Maria pertence inteiramente a Deus e, justamente por isso, se coloca inteiramente a serviço dos irmãos.
Em um mundo marcado pelo individualismo, a Vida Consagrada anuncia a fraternidade. Diante da busca desenfreada pelos bens, testemunha a pobreza evangélica. Diante de uma cultura centrada na satisfação dos próprios desejos, testemunha um coração livre para amar. Os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência proclamam que é possível colocar Cristo no centro da existência.
Por isso, queremos agradecer a todos os religiosos e religiosas presentes em nossas comunidades. Obrigado pela oração, pela evangelização, pelo serviço aos pobres e pelo testemunho de tantas vidas oferecidas a Deus.
A Assunção nos recorda que nenhuma vida entregue a Deus por amor é desperdiçada. Maria já chegou à plenitude. Nós ainda estamos a caminho. E, porque sabemos para onde caminhamos, podemos continuar servindo, evangelizando e esperando.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo Diocesano de Toledo