A Polícia Civil (PC), por meio da 20ª Subdivisão Policial de Toledo (20ª SDP), segue avançando nas investigações sobre as denúncias de supostos crimes sexuais envolvendo um médico que atuava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor José Ivo Alves da Rocha, na Vila Becker. Novos desdobramentos do caso foram apresentados nesta semana pelo delegado-adjunto da unidade, Rodrigo Baptista.
Conforme o delegado, nas últimas semanas a Polícia Civil vem realizando diligências e oitivas relacionadas ao inquérito policial instaurado para apurar os supostos fatos. Até o momento, duas vítimas já foram oficialmente ouvidas pela equipe de investigação.
Ainda segundo Rodrigo Baptista, uma suposta terceira vítima chegou a ser identificada durante o andamento das investigações. No entanto, conforme relatado pelo delegado, a pessoa não quis se manifestar formalmente dentro dos autos e também não demonstrou interesse em participar da investigação neste momento.
Além das vítimas, testemunhas também foram ouvidas pela Polícia Civil. Conforme explicou o delegado adjunto, não se tratam de testemunhas oculares dos fatos denunciados, mas de pessoas relacionadas à dinâmica de funcionamento da unidade hospitalar e às circunstâncias que envolvem os atendimentos realizados na UPA.
Rodrigo Baptista informou ainda que, durante esta semana, a Polícia Civil deverá realizar o interrogatório do médico investigado, ocasião em que o profissional poderá apresentar a sua versão sobre os fatos e também indicar provas que considerar pertinentes para a investigação.
O delegado destacou que o inquérito policial apura supostos crimes de estupro e que, após a conclusão das diligências, será elaborado o relatório final a ser encaminhado ao Poder Judiciário.
Relembre o caso
O caso ganhou grande repercussão após um paciente relatar, por meio das redes sociais, ter sido vítima de suposto abuso durante atendimento médico realizado na UPA de Toledo, no dia 11 de abril. Segundo o homem, ele procurou a unidade após sofrer um acidente de motocicleta e, durante o procedimento de curativos, o profissional teria ultrapassado limites durante a avaliação física, aproveitando-se do estado de vulnerabilidade em que se encontrava.
Após a denúncia vir à tona, outras pessoas também teriam procurado autoridades relatando situações semelhantes envolvendo o mesmo médico.
Diante da repercussão e do surgimento de novas denúncias, o Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná (Consamu), responsável pela gestão técnica da unidade, determinou o afastamento imediato do profissional e instaurou procedimento administrativo interno para apuração dos fatos. O caso também foi comunicado ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e à Polícia Civil.
A defesa da vítima classificou os fatos como “de extrema gravidade” e afirmou acompanhar de perto o andamento das investigações, ressaltando a importância da responsabilização dos envolvidos, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
Já a Prefeitura de Toledo informou, em nota oficial, que acompanha o caso desde o surgimento da denúncia e destacou que não compactua com qualquer conduta inadequada, especialmente em situações que envolvam possível assédio ou violência, reforçando que todas as denúncias são tratadas com seriedade e responsabilidade pelas autoridades competentes.
Em manifestação pública divulgada poucos dias após as denúncias virem à tona, o médico investigado negou “de forma categórica” qualquer conduta inadequada ou ilícita durante os atendimentos realizados na UPA de Toledo, classificando as acusações como “infundadas” e sem respaldo probatório. O profissional afirmou ainda estar abalado com a situação, mas confiante na Justiça, além de informar que registrou Boletim de Ocorrência (B.O) para apuração de possíveis crimes de calúnia e difamação. Segundo a nota, medidas judiciais nas esferas cível e criminal também já teriam sido adotadas contra os responsáveis pelas publicações e disseminação das informações. O médico ainda declarou ter recebido ameaças e manifestações de ódio nas redes sociais, ressaltando que os envolvidos serão responsabilizados judicialmente.
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