O Botão Maria da Penha foi acionado 22 vezes em Toledo durante o primeiro semestre de 2026 e, em todos os casos, os agressores foram presos pela Guarda Municipal (GM). Além do número de prisões, outro dado chama a atenção: o tempo médio entre o acionamento do dispositivo e a chegada de uma viatura à residência da vítima foi de apenas cinco minutos.
Os números foram apresentados pelo secretário municipal de Segurança e Trânsito, Rogério de Lima, durante entrevista ao Toledo News. Segundo ele, o Botão Maria da Penha é utilizado em situações de maior gravidade, quando a mulher que possui medida protetiva entende que está diante de um risco à própria vida.
O secretário reforçou que a Guarda Municipal pretende manter o rigor no atendimento das ocorrências envolvendo violência doméstica.
Durante a entrevista, Rogério também avaliou que a atuação do dispositivo durante o período pode ter impedido que os casos evoluíssem para situações ainda mais graves. Questionado sobre o resultado dos atendimentos, o secretário afirmou que “são 22 vidas que foram resguardadas”.
Atualmente, 288 mulheres contam com o Botão Maria da Penha em Toledo. O dispositivo é disponibilizado a mulheres com medida protetiva e permite o acionamento da Guarda Municipal em situações de risco. A concessão ocorre por determinação judicial.
O número de mulheres com o dispositivo representa uma parcela das 1.283 medidas protetivas atualmente em vigor no município. Somente durante o primeiro semestre de 2026, foram concedidas 356 novas medidas. O acompanhamento é realizado pela Patrulha Maria da Penha, setor especializado da Guarda Municipal responsável por manter contato com as vítimas e verificar o cumprimento das determinações judiciais.
A equipe da Patrulha Maria da Penha da GM é formada por cinco guardas municipais. Após o recebimento das medidas protetivas por meio do sistema integrado com o Poder Judiciário, os casos passam por uma triagem e as mulheres recebem a primeira visita da Patrulha. O trabalho também inclui contatos por telefone e novas visitas às residências para verificar, entre outras situações, se o agressor voltou a procurar a vítima ou tentou manter algum tipo de contato.
As informações levantadas durante esse acompanhamento são repassadas ao Poder Judiciário. Para Alessandro Jardel de Paula, coordenador da Patrulha Maria da Penha, o trabalho exerce justamente a função de aproximar as mulheres protegidas por medidas protetivas dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento dos casos.
O coordenador também destacou a importância do Botão Maria da Penha para situações em que o agressor descumpre as determinações judiciais. Em um acionamento recente relatado por ele, uma equipe da GM já realizava patrulhamento durante a madrugada no bairro onde a vítima residia e chegou ao endereço em aproximadamente cinco minutos. O homem foi preso em flagrante. Na avaliação de Alessandro, a rapidez da resposta pode ter evitado um feminicídio.
Durante a entrevista ao Toledo News, Rogério de Lima também adotou um discurso firme em relação aos autores de violência doméstica. “Para o machão de cozinha não tem mais espaço na nossa sociedade”, declarou. Segundo ele, é inadmissível que mulheres continuem sendo agredidas dentro das próprias residências, e a Guarda Municipal atua de maneira rigorosa nestes casos.
Para o secretário, o crescimento das denúncias não significa necessariamente que a violência doméstica tenha aumentado na mesma proporção. Na avaliação dele, as mulheres passaram a confiar mais na rede de proteção e sabem que, ao procurar a Justiça ou utilizar o Botão Maria da Penha, poderão contar com o atendimento das forças de segurança.
Alessandro compartilhou avaliação semelhante. Segundo o coordenador da Patrulha Maria da Penha, o aumento das medidas protetivas demonstra que mais mulheres estão identificando situações de violência dentro de casa e procurando ajuda. Ele orientou que a denúncia seja feita já nos primeiros sinais de violência, sem esperar que a situação se agrave.
Rogério também reforçou o pedido para que as vítimas não permaneçam em silêncio. “Denuncie, não tenha medo, não se cale”, afirmou durante a entrevista, ao destacar a atuação conjunta da Guarda Municipal, Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC), Delegacia da Mulher, Ministério Público (MP) e Poder Judiciário no enfrentamento à violência doméstica.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou a Polícia Militar pelo 190. Mulheres vítimas de violência também podem procurar a Delegacia para registrar a denúncia e solicitar uma medida protetiva.
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