Projeto arquitetônico foi doado pelas arquitetas Meri Blatt Heiss e Larissa Koch Gottems; nova estrutura será construída na região do Grande Panorama.
Na noite do último dia 27, durante um jantar que reuniu parceiros, empresários, autoridades, voluntários e pessoas que acompanham há anos a trajetória da Embaixada Solidária, Toledo testemunhou um daqueles momentos em que arquitetura, memória e humanidade passaram a ocupar o mesmo espaço.
A instituição apresentou oficialmente o projeto arquitetônico de sua futura sede, uma estrutura pensada para ampliar atendimentos e consolidar fisicamente uma história construída através do acolhimento, da integração e da dignidade humana.
O projeto foi desenvolvido pelo escritório Meri e Lari Design e Arquitetura e doado integralmente pelas arquitetas Meri Blatt Heiss e Larissa Koch Gottems à Embaixada Solidária. Um gesto que ultrapassa a colaboração técnica e se transforma em participação afetiva dentro de uma das iniciativas humanitárias mais relevantes do Oeste do Paraná.

Ao desenvolver o projeto, as profissionais buscaram compreender primeiro a essência da instituição antes de desenhar salas, estruturas ou fachadas. Com sensibilidade social e profundo cuidado conceitual, trabalharam elementos ligados à sustentabilidade, integração comunitária e pertencimento cultural — princípios que acompanham a atuação da Embaixada Solidária desde sua fundação.
O resultado é um espaço moderno, urbano, acolhedor e carregado de significado. Uma das características mais simbólicas do projeto aparece justamente no conceito chamado “Janelas para o Mundo”. Utilizando esquadrias reaproveitadas e elementos arquitetônicos inspirados nas múltiplas nacionalidades atendidas pela entidade, a fachada transforma diversidade humana em linguagem visual.
As janelas deixam de ser apenas estruturas arquitetônicas. Passam a representar encontros, recomeços e possibilidades. Para quem chega de outro país trazendo perdas, rupturas e medo do desconhecido, encontrar acolhimento também significa recuperar estabilidade, pertencimento e perspectiva de futuro.
As arquitetas chegaram até a instituição através da voluntária e parceira da causa, Vania Trentini, uma das incentivadoras da construção da nova sede. Sensibilizada pelo impacto social desenvolvido pela entidade, ela aproximou o escritório da Embaixada Solidária e passou a acompanhar de perto o nascimento do projeto.
Durante a cerimônia, Meri Blatt Heiss, Larissa Koch Gottems e Vania Trentini foram homenageadas publicamente pela contribuição histórica que passam a deixar na trajetória da instituição. A construção da nova sede também representa um importante reconhecimento institucional por parte do Município de Toledo.

Atentos ao trabalho desenvolvido pela Embaixada Solidária dentro das políticas de Governança Migratória, o prefeito Mario Costenaro e a Câmara de Vereadores viabilizaram a destinação de um amplo terreno localizado na região do Grande Panorama, área escolhida para receber a futura estrutura.
O gesto fortalece não apenas a instituição, mas também o posicionamento de Toledo como uma cidade que compreende a migração como uma pauta humana, econômica e social. Com a nova estrutura, a Embaixada Solidária passará a contar com duas sedes no município: a atual unidade no Jardim Gisela, já consolidada como referência multicultural, e a futura sede no Grande Panorama, planejada para ampliar projetos sociais, culturais, profissionalizantes e de integração comunitária.
O novo espaço contará com áreas de triagem, atendimento, costura industrial e criativa, sublimação, cozinha industrial, salão multicultural para eventos, salas administrativas, espaços de convivência e ambientes destinados à formação profissional e fortalecimento de famílias migrantes e refugiadas.
Para a fundadora da Embaixada Solidária, Edna Nunes da Silva, talvez a dimensão mais profunda deste projeto não esteja apenas na metragem da obra ou na estrutura planejada. “A força desta nova sede está justamente naquilo que ela representa. Este projeto consolida aquilo que Toledo escolheu construir ao longo dos últimos anos: uma cidade capaz de acolher, integrar e reconhecer humanidade mesmo diante das diferenças.
Cada ambiente foi pensado para lembrar que diferentes povos, culturas e histórias podem coexistir sem que ninguém precise abandonar a própria identidade para pertencer. Existem espaços que não servem apenas para atender pessoas. Servem para devolver dignidade, pertencimento e condições reais de recomeço.
“E eu carrego uma gratidão profunda por todas as pessoas que tornaram este sonho possível. Às arquitetas Meri Blatt Heiss e Larissa Koch Gottems, que doaram talento, sensibilidade e meses de trabalho para construir algo tão humano, e também à voluntária Vania Trentini, que acreditou neste projeto desde o início e aproximou tantos corações desta causa. Existem pessoas que ajudam financeiramente uma instituição. Outras ajudam oferecendo tempo, talento, sensibilidade e presença. E existem aquelas que ajudam deixando marcas permanentes na história de uma causa.”