A pobre viúva ofereceu tudo o que tinha para viver


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No Evangelho deste domingo (10), Jesus se encontra em Jerusalém, ponto final de sua longa viagem (Mc 12, 38-44). Ali ele será glorificado, através de sua morte e ressurreição, e revelará definitivamente o amor do Pai pela humanidade abrindo as portas do céu para todos aqueles que quiserem seguir o seu caminho e ser seu discípulo.

O texto evangélico nos apresenta duas cenas diversas, claramente contrapostas. Na primeira cena Jesus manifesta a sua total reprovação às atitudes dos escribas que se que buscavam honrarias e reconhecimento público. Na segunda – a oferta da pobre viúva – que oferece tudo o que tinha para sobreviver. Diante do fato, Jesus aproveita para fazer uma catequese sobre o seguimento. Deu lado (os escribas) manifestam sua hipocrisia ao expressar a fé; de outro lado (a viúva) se nota a simplicidade e sinceridade da verdadeira fé.

Quem quer ser discípulo do Reino de Deus tem que superar dentro de si todo o espírito de poder, ostentação, vaidade, privilégios, piedade hipócrita e exploração dos pobres.

Hoje Jesus chama a atenção para o modo de comportar dos escribas (os intelectuais, letrados) da sua época: gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles exploram os mais pobres, aqui simbolizados pelas viúvas, sinal da pessoa desamparada e sem ninguém para defender os seus direitos.

Jesus ensina os seus discípulos e cada um de nós a não imitar este tipo de comportamento, pois o serviço generoso é a marca do verdadeiro discípulo de Jesus.

Em seguida, Jesus, sentado junto ao cofre do templo, observa as pessoas que lá vão depositar a sua oferta. Chama a sua atenção uma mulher pobre e viúva, que depositou apenas algumas moedinhas. Este fato o comove e ele chama a atenção dos seus discípulos para ensinar que o exemplo dela deve ser seguido. Todos ofertavam o que sobrava e que não lhes faria falta, a pobre viúva, porém, ofertava a Deus tudo o que tinha, colocando em risco a própria vida.

O ensinamento de Jesus é simples e contundente: a viúva, na sua pobreza, e aos olhos de Deus, superou todos os ricos que ofertavam de sua abundância; sua entrega é maior e mais autêntica porque dá tudo de si. Enfim, Jesus revela que o Pai não nos julga pela quantidade de nossas ofertas, mas vê a generosidade de nosso coração. A atitude da viúva pobre é um modelo para todos os seguidores de Jesus: a verdadeira atitude de fé é confiar plenamente em Deus e não nos valores materiais que nos dão segurança e prestígio. O grande desafio é entregar tudo nas mãos de Deus e confiar plenamente no seu amor.

O texto deste domingo sublinha também a responsabilidade que temos com o mundo que nos cerca. A prática da partilha, da esmola e da solidariedade é uma das características do Espírito de Jesus, dado a nós no dia de Pentecostes, que deverá ser realizado como na comunidade dos primeiros discípulos: ali ninguém passava necessidades, os bens eram repartidos entre todos segundo a necessidade de cada um. É a utopia da verdadeira comunidade idealizada por Jesus que não podemos perder de vista!

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

* As informações contidas nos artigos de colunistas, não necessáriamente, expressam a opinião do Toledo News.

Dom João Carlos Seneme

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo. Novos conteúdos são publicados semanalmente.

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