Entre as apresentações, debates e reflexões promovidas pela Semana Acadêmica de Filosofia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, dois rostos se destacaram não apenas pelo conteúdo que trouxeram, mas pela trajetória que representam. Julio Marcos de Souza e Josenei Godoi de Medeiros, estudante de Filosofia e doutorando em Bioenergia, respectivamente, são atendidos pelo Programa de Educação Especial (PEE) da Universidade e apresentarem seus trabalhos mostrando que a inclusão vai muito além da presença: trata-se de participação ativa, reconhecimento e respeito às diferenças.
Julio, diagnosticado com surdez, apresentou o trabalho sobre a ???Metafísica surdológica: por uma ontologia visual a partir da experiência surda???, um tema que, segundo ele, reflete as suas experiências. ???A minha proposta busca repensar os fundamentos da metafísica tradicional ??? que sempre valorizou a linguagem falada e a razão abstrata ??? a partir da experiência visual, corporal e linguística da pessoa surda. Ao invés de tratar a surdez como ausência ou deficiência, proponho uma ontologia visual, onde a surdidade é entendida como uma forma legítima de ser e conhecer o mundo???.
Já Josenei, que possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e altas habilidades, trouxe uma análise sensível e crítica sobre as ???Instituições tecnocráticas no ensino superior e alunos com TEA: a urgência de um olhar humanizador???, explorando reflexões sobre Gabriel Marcel e suas ontologias. ???Comecei a observar como as instituições tanto estaduais e federais lidam (ou não lidam) com a inclusão de pessoas com TEA. A maior parte delas, infelizmente, ainda não está preparada para garantir inclusão real, em vários níveis. A tecnocracia que Gabriel Marcel criticava está viva e operante nas estruturas institucionais, o que torna os sistemas rígidos, padronizados, e pouco sensíveis às adaptações que pessoas com TEA precisam para aprender, conviver e existir com dignidade no ambiente acadêmico???, diz.
Ambos são acompanhados pela equipe do PEE, que tem como missão oferecer apoio pedagógico e estrutural a estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O programa atua em todos os campi da Unioeste, promovendo acessibilidade, orientação docente e construção de um ambiente universitário mais inclusivo.
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A presença dos dois estudantes não passou despercebida. Professores, colegas e convidados ressaltaram a importância de garantir espaços reais de expressão e protagonismo. O professor Marcelo do Amaral Penna-Forte, coordenador da Semana Acadêmica de Filosofia da Unioeste, destacou que o evento se torna mais significativo quando a diversidade é reconhecida. ???Os temas da inclusão e diversidade foram considerados desde o início pela comissão organizadora, alinhando-se à proposta de refletir sobre o lugar da filosofia hoje. Nas sessões de comunicações, destacam-se os trabalhos dos estudantes atendidos pelo PEE, que abordaram a metafísica surdológica e os desafios do TEA no ensino superior. Esses momentos reforçam nosso esforço para que inclusão e diversidade fossem práticas concretas, não apenas temas pontuais. Mas a experiência da Semana Acadêmica também nos mostrou que, ao nos esforçarmos para desfazer invisibilidades, percebemos de forma ainda mais aguda o quanto precisa ser feito. Trata-se de um caminho necessário e em constante construção???, disse.