A situação da arborização urbana de Toledo e os desafios para a construção de um novo planejamento para o setor foram apresentados na tarde desta quinta-feira (7), durante encontro realizado no Auditório Acary Oliveira, anexo ao Paço Municipal Alcides Donin. A explanação foi conduzida pelo biólogo Rafael Scarpelli Ferro, gestor de projetos da DRZ Geotecnologia e Consultoria Ltda. EPP, empresa responsável por levantamento técnico realizado no município ao longo dos últimos dois anos.
Durante a exposição, ele detalhou dados sobre a arborização urbana da sede e dos distritos, informações que irão subsidiar a elaboração do novo Plano Municipal de Arborização Urbana. Segundo o gestor de projetos, o levantamento identificou 84.262 pontos cadastrados e 78.627 indivíduos arbóreos vivos em Toledo. O trabalho também contemplou a identificação das espécies, a localização das árvores, a avaliação das condições fitossanitárias e a indicação de manejos adequados.
Rafael salientou que o levantamento foi desenvolvido de forma integrada ao cadastro técnico multifinalitário do município. “Hoje você consegue entender que a árvore não está isolada no ambiente urbano. Ela tem interface com meio-fio, muro, calçamento, esquina, poste e rede de drenagem. Então, a árvore passa a ser um elemento urbano integrado na cidade de Toledo”, pontua.
Atualização permanente
Ao final da apresentação, o biólogo explicou o funcionamento de uma plataforma digital desenvolvida pela empresa no âmbito do Contrato de Nº 423/2023, firmado com a administração municipal. A ferramenta foi entregue oficialmente durante o encontro.
A plataforma reúne todos os dados coletados durante o levantamento técnico e permitirá que equipes da Secretaria do Meio Ambiente (SMMA) façam a inclusão ou a exclusão de árvores cadastradas nas áreas urbanas da sede e dos distritos, mantendo as informações atualizadas de forma permanente. “A Secretaria do Meio Ambiente poderá ir ao local e registrar, por exemplo, que determinada árvore não existe mais ou que foi substituída por outra espécie. Isso amplia a gestão inteligente da arborização integrada ao conceito de cidade inteligente que Toledo vem construindo”, explica.
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Hospital de Olhos de ToledoO gestor de projetos da DRZ avalia que os dados apontam para uma arborização predominantemente jovem no município. “Os indivíduos arbóreos nos trazem idades estimadas inferiores a 15 anos. É uma arborização que está sendo reinventada pelo município e o novo plano de arborização abre um horizonte ainda melhor, com seleção de novas espécies, manejo adequado e fiscalização mais eficiente”, observa.
Entidades e órgãos públicos
Além de técnicos da SMMA, participaram do encontro servidores de diversas secretarias municipais. Entre elas, da Educação; do Planejamento, Habitação, Urbanismo e Mobilidade; da Infraestrutura Rural e Urbana e de Serviços Públicos; e de Agricultura e Proteína Animal.
A reunião também contou com representantes da Câmara Municipal, do Ministério Público do Paraná (MP-PR), do Instituto Água e Terra (IAT), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Lions Clube. Outras entidades da sociedade civil organizada e órgãos públicos foram convidados a participar do evento, bem como da formulação do novo Plano Municipal de Arborização Urbana, que deverá utilizar os dados técnicos apresentados pela DRZ como base para definição de estratégias, diretrizes e ações voltadas à gestão da arborização no município.
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Novo plano
O engenheiro ambiental da SMMA, Donizete dos Reis Oliveira Junior, explica que o município já possuía um diagnóstico elaborado em 2012 e publicado em 2013, mas ressalta que o novo levantamento permitirá compreender com maior precisão as transformações ocorridas nos últimos 13 anos. “Agora sabemos em quais pontos Toledo melhorou, onde ficaram as deficiências e quais são as urgências. O diagnóstico era essencial para entendermos qual caminho seguir”, analisa.
Segundo o engenheiro ambiental, o novo mapeamento também possibilita identificar árvores inadequadas ou que oferecem riscos, facilitando ações futuras de substituição. “A população de ligustros, conhecidos como alfeneiros, caiu mais de 50% desde o último levantamento”, exemplifica. “Antes sabíamos que essas árvores existiam, mas não exatamente onde estavam. Agora conseguimos localizar essas árvores e avançar em projetos de substituição para implantar uma arborização de qualidade, dentro do conceito de floresta urbana”, destaca.
Donizete informa ainda que a elaboração do novo Plano Municipal de Arborização Urbana está em fase avançada. De acordo com ele, já foram definidas espécies prioritárias e parte da nova legislação ambiental relacionada ao tema encontra-se em construção. “Agora temos dados para definir quantas árvores precisaremos plantar, como elas serão produzidas ou adquiridas e qual estrutura será necessária para atender a realidade de Toledo. Com isso, conseguiremos avançar muito mais rapidamente na conclusão do plano”, pontua.