A Câmara de Toledo recebeu, nesta segunda-feira (10), uma comitiva de Concórdia, Santa Catarina, que está no município para conhecer experiências relacionadas à governança migratória, ao acolhimento e à empregabilidade de migrantes e refugiados. A visita à Casa de Leis foi articulada pela presidente da Embaixada Solidária, Edna Nunes, que aproximou o grupo catarinense do Legislativo toledano.
A comitiva foi recepcionada pelo presidente da Câmara de Toledo, Gabriel Baierle (União Brasil), acompanhado pelo diretor-geral Jair Scarpato e pelos vereadores Bruno Radunz (Republicanos), Sérgio Japonês (PL), Pedro Varella (Progressistas) e Jairo Cerbarro (Democracia Cristã).
Participaram da visita representantes de diferentes instituições de Concórdia. Pela Câmara de Vereadores do município catarinense estiveram presentes a vereadora Rutineia Rossi; os assessores parlamentares Jenifer Fernandes e Marcos Antônio Favaretto Fretta; e o assessor jurídico Filipe Colossi.
A comitiva contou ainda com Daniel Keller, assessor jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Concórdia; Elaine Cristina Blodorn Martins, interlocutora de Responsabilidade Social e Cultura do SESI/SENAI/FIESC; Charlene, representante da Associação Empresarial de Concórdia (ACIC); e Leocergio Sarturi.
Pelo Instituto MBRF participaram Caique Eduardo Silva, da área de investimento social e impacto social; Tatiana Kirst, supervisora de Produção; Magda Deon, analista de Comunicação; e Luiz Claudio Machado Albuquerque, diretor de Relações Institucionais. Também acompanhou o encontro Edna Nunes, presidente e fundadora da Embaixada Solidária e e Luiz Claudio Machado Albuquerque, diretor de Relações Institucionais.
A visita integra uma agenda realizada em Toledo entre os dias 8 e 11 de agosto, com foco em governança migratória e empregabilidade. A missão catarinense busca conhecer iniciativas desenvolvidas no município e na região Oeste do Paraná e promover uma troca de experiências que possa contribuir para a construção de políticas públicas em Concórdia.
O interesse está relacionado a uma realidade que ganha cada vez mais espaço no Oeste catarinense. A presença de trabalhadores migrantes cresceu de forma significativa, especialmente no setor industrial, levando poder público, empresas e organizações sociais a buscar soluções permanentes para questões que envolvem acolhimento, documentação, saúde, educação, qualificação profissional, empregabilidade e integração social.
Durante a passagem pela Câmara de Toledo, a comitiva conheceu o papel do Legislativo na construção dessas respostas e discutiu a importância de manter canais permanentes de diálogo entre vereadores, Executivo, organizações sociais, empresas e demais instituições envolvidas com a pauta migratória.
Para o presidente da Câmara, Gabriel Baierle, a abertura do Legislativo para esse tipo de intercâmbio permite compartilhar experiências e, ao mesmo tempo, ampliar a discussão sobre uma realidade que está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social dos municípios. “Toledo é uma cidade que cresce, gera oportunidades e recebe pessoas de diferentes lugares. O poder público precisa estar preparado para acompanhar essa realidade. A Câmara é o espaço onde as demandas da comunidade chegam, são debatidas e podem se transformar em políticas públicas. Receber esta comitiva é uma oportunidade de compartilhar o que Toledo vem construindo, mas também de ouvir outras experiências e compreender onde ainda podemos avançar. Esse diálogo entre instituições é fundamental para que as decisões sejam responsáveis, planejadas e atendam toda a comunidade”, destacou Baierle.
Já a presidente da Embaixada Solidária, Edna Nunes, ressaltou que a aproximação com o Poder Legislativo é parte indispensável da construção de políticas permanentes para a população migrante. Segundo ela, as organizações que atuam diretamente no acolhimento conseguem identificar diariamente necessidades e desafios, mas muitas das soluções dependem da atuação do poder público. “Tudo aquilo que podemos construir na Embaixada Solidária e tudo o que buscamos fazer pelos migrantes precisa, em algum momento, dialogar com o poder público. Muitas dessas ações precisam virar política pública, precisam de legislação, de orçamento e de continuidade. E isso passa pela Câmara, porque é aqui que os projetos tramitam, as leis são discutidas e os vereadores podem conhecer de perto essa realidade. Por isso essa conexão é tão importante: precisamos transformar aquilo que encontramos diariamente no atendimento aos migrantes em soluções que permaneçam e alcancem toda a comunidade”, ressaltou Edna.
Em Concórdia, a Embaixada Solidária e o Instituto MBRF desenvolvem o Projeto de Governança Pública para Migrantes. A iniciativa prevê a estruturação de um modelo de gestão que reúna acolhimento humanizado, garantia de direitos e inserção laboral segura, com protocolos de atendimento para áreas como documentação, assistência social, saúde, educação, empregabilidade, direitos humanos e mediação cultural. O projeto prevê ainda formação de equipes técnicas e a criação de mecanismos permanentes para acompanhamento e aprimoramento das políticas destinadas à população migrante, refugiada e apátrida.
A escolha de Toledo para integrar a missão está relacionada à experiência construída no Oeste do Paraná. O material que orienta a visita destaca o interesse da comitiva em conhecer estratégias regionais que utilizam informações sobre mercado de trabalho e atividade econômica para orientar planejamento, políticas públicas, investimentos e qualificação profissional.
Toledo e Concórdia também possuem características econômicas semelhantes. Os dois municípios estão inseridos em regiões de forte presença agroindustrial, nas quais trabalhadores migrantes têm participação crescente no mercado de trabalho. Essa proximidade torna a troca de experiências especialmente relevante para pensar soluções que conciliem desenvolvimento econômico, acolhimento, garantia de direitos e integração social.
Com a recepção da comitiva, a Câmara de Toledo reforça sua participação no diálogo sobre políticas públicas voltadas à população migrante e abre espaço para que experiências desenvolvidas no município possam contribuir com outras cidades que enfrentam desafios semelhantes.