Moradores do bairro Tocantins, em Toledo, estão se mobilizando para construir um memorial em homenagem ao cão comunitário conhecido como Abacate, morto após ser atingido por disparo de arma de fogo. O animal era cuidado coletivamente pela vizinhança e fazia parte da rotina diária da comunidade, acompanhando caminhadas, convivendo com crianças e recebendo cuidados em diversas residências.

Segundo relato da moradora Raquel Cassol da Silva, Abacate chegou ao bairro em outubro de 2025 e, desde então, passou a ser acolhido por moradores de diferentes ruas. A convivência era marcada por cuidado coletivo, com oferta de alimento, água, abrigo em dias de chuva e atenção constante. “O bairro era a casa dele. A gente se preocupava se ele tinha comido, tomado água, se tinha abrigo quando chovia”, relatou o morador Leandro Volanick.
Ainda conforme os moradores, o cão era conhecido pelo comportamento dócil e brincalhão, convivendo bem com outros animais e com crianças. “As crianças brincavam com ele, ele se dava muito bem com outros cachorros. Se chegava perto, ele já deitava para brincar”, contou Raquel.
Abacate também fazia parte da rotina diária da comunidade, acompanhando moradores em caminhadas matinais e no fim da tarde. “Era padrão sair para trabalhar e já receber o abraço dele de manhã. Ele trazia alegria”, disse Leandro. A ausência do animal passou a ser sentida logo após o ocorrido, quando pessoas que costumavam caminhar pelo bairro estranharam não encontrá-lo nos trajetos habituais.
A morte de Abacate gerou forte comoção entre os moradores do bairro, que relataram sentimento de perda coletiva. A ausência do cão foi percebida de forma imediata na rotina da comunidade, especialmente por pessoas que costumavam encontrá-lo durante caminhadas diárias.

“Foi uma sensação muito ruim, de angústia e de perda. Um sentimento de luto mesmo”, relatou Leandro. Raquel destacou que o impacto ultrapassou os moradores mais próximos e atingiu também pessoas que transitam pela região. “Ontem passaram pessoas procurando por ele, porque ele sempre acompanhava nas caminhadas”.
Como forma de preservar a memória do cão comunitário, os moradores decidiram construir um memorial em uma árvore onde Abacate costumava permanecer à sombra. O local deverá simbolizar o vínculo criado entre o animal e a comunidade, além de servir como espaço de lembrança para quem circula pelo bairro.

A iniciativa também busca sensibilizar a população sobre a proteção de animais em situação de rua e reforçar a importância do cuidado coletivo. “O memorial é para lembrar as boas memórias e para que isso não seja esquecido”, explicou Raquel.
Para os moradores, a mobilização em torno da homenagem representa a continuidade do afeto construído ao longo do convívio com o cão. “A memória dele não pode ser esquecida. Isso uniu ainda mais os vizinhos”, concluiu Leandro.