Especialista da Prati-Donaduzzi explica sobre diferentes tipos de cefaleia e orienta sobre sinais que merecem investigação médica
A cefaleia (termo médico utilizado para definir diferentes tipos de dores de cabeça) pode impactar diretamente a qualidade de vida, produtividade, sono, relações sociais e saúde emocional. Mais do que um sintoma comum, ela também pode ser um importante sinal de alerta do organismo.
Segundo estudos publicados em 2025 nas revistas científicas The Lancet Neurology e The Journal of Headache and Pain, os distúrbios relacionados à cefaleia afetam aproximadamente 2,9 bilhões de pessoas no mundo, o equivalente a 34,6% da população global.
A enxaqueca, especificamente, atinge cerca de 14,1% da população mundial e é considerada uma das principais causas de incapacidade associadas a doenças neurológicas. Já a cefaleia do tipo tensional, mais comum e frequentemente associada ao estresse, apresenta prevalência de 24,9%.
Entender a dor é parte do tratamento
Segundo a neurologista Larissy Degani, que atua no setor de Prescrição Médica da Prati-Donaduzzi indústria farmacêutica, embora muitas pessoas utilizem termos como “dor de cabeça”, “cefaleia” e “enxaqueca” como sinônimos, existem diferenças importantes entre as condições. “A primeira classificação importante é diferenciar as cefaleias primárias das secundárias. As primárias não têm uma lesão cerebral ou uma causa orgânica que explique a dor. Já as secundárias acontecem em decorrência de alguma outra condição, como tumor, AVC ou traumatismo”, explica a médica.
As cefaleias primárias são as mais comuns e incluem principalmente a cefaleia tensional, a enxaqueca e a cefaleia em salvas. A tensional costuma ser aquela dor mais
constante, bilateral e associada ao desgaste do dia a dia. “Ela geralmente aparece após períodos de tensão, ansiedade ou estresse. É aquela dor chata, que pode surgir no fim de um dia cansativo ou até ao acordar”, explica Larissy.
Já a enxaqueca apresenta características mais intensas e incapacitantes. “Normalmente é uma dor unilateral, pulsátil, acompanhada de náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao barulho. Diferente da cefaleia tensional, ela piora com atividade física”, destaca a neurologista.
Outro tipo menos comum, porém extremamente doloroso, é a cefaleia em salvas. Segundo a especialista, pacientes descrevem as crises como uma das piores dores que já sentiram. “É uma dor muito intensa, geralmente unilateral, acompanhada de sintomas como lacrimejamento, vermelhidão nos olhos e coriza. Os pacientes relatam que é uma dor insuportável”, afirma.
Apesar das diferentes causas e manifestações, os quadros de cefaleia possuem possibilidades de tratamento e a evolução dos medicamentos ampliou as opções terapêuticas disponíveis para pacientes que convivem com dores frequentes e incapacitantes. Analgésicos, anti-inflamatórios e medicamentos utilizados no sistema nervoso central (SNC) fazem parte das abordagens médicas, conforme cada caso.
Enxaqueca com aura
A aura é uma manifestação neurológica que pode surgir antes ou durante as crises de enxaqueca e provocar alterações temporárias, principalmente visuais e sensitivas. “Um dos sintomas mais comuns da aura são alterações visuais, como pontos brilhantes, visão embaçada ou perda da visão periférica. Algumas pessoas também podem sentir formigamento e até perda de força em um dos braços”, explica Larissy, que reforça que outros sintomas também podem estar associados ao quadro.
Gatilhos variam de pessoa para pessoa
Embora existam fatores frequentemente associados às crises de cefaleia, a neurologista ressalta que os gatilhos são muito individuais. O que desencadeia dor em
uma pessoa pode não provocar nenhum efeito em outra. Os mais comuns observados nos consultórios são estresse emocional, ansiedade, privação de sono, excesso de sono, desidratação e longos períodos sem alimentação. Cheiros fortes também aparecem frequentemente entre os relatos dos pacientes.
As alterações hormonais femininas possuem forte influência sobre as crises de enxaqueca. TPM, gravidez, amamentação e menopausa podem modificar completamente a frequência e intensidade das dores. “Tem mulher que nunca teve dor de cabeça e começa na gravidez. Outras deixam de ter na menopausa. É algo muito relacionado aos hormônios”, explica Larissy.
Saúde emocional x cefaleia
Além dos fatores físicos e hormonais, a saúde mental também desempenha papel importante no surgimento e manutenção das dores de cabeça. “O estresse e a ansiedade favorecem as crises, principalmente na cefaleia tensional. Mas o contrário também acontece: a dor crônica pode deixar a pessoa mais deprimida, mais melancólica. Muitas vezes vira um ciclo difícil de interromper”, afirma a neurologista.
Quando a dor de cabeça merece atenção?
Embora a cefaleia seja comum, alguns sinais exigem investigação médica. Crises muito frequentes, dores intensas e mudanças repentinas no padrão da dor devem servir como alerta. “Quando a pessoa começa a ter dor de cabeça toda semana, a ponto de atrapalhar o trabalho, a rotina ou deixar o paciente de cama, já merece uma avaliação mais cuidadosa”, afirma Larissy. “Uma dor muito forte e diferente do habitual também merece atenção para descartar causas secundárias, como alterações neurológicas mais graves”, conclui.