Após oito anos de formação, o diácono Mayron Fabrício de Oliveira será ordenado padre neste sábado (01), às 09h30, na Igreja Matriz São Pedro e São Paulo, na Vila Operária, em Toledo. A celebração será presidida pelo bispo diocesano, Dom João Carlos Seneme, com a presença do clero, de familiares, amigos e comunidade.
“A gente se preparou por oito anos, mas bate a ansiedade. O coração está a mil. É um momento muito importante para mim, para a minha família e para toda a Diocese”, contou Mayron, em entrevista ao Toledo News. Ele é um dos quatro novos padres que a Diocese de Toledo ordena entre agosto e setembro. A missa deste sábado (01) também abre a 5ª Jornada Regional de Oração pelas Vocações (JOV), que dedica o mês à oração e à promoção das vocações na Diocese.
Do curso de exatas ao seminário
O desejo de ser padre vem da infância. “Desde criança eu sempre falava que queria ser padre”, lembrou. A família tinha contato próximo com os frades franciscanos do Seminário Nossa Senhora de Fátima, que ele visitava com frequência. Com o tempo, porém, passou a achar que aquele não era o seu caminho e foi estudar na área de exatas.

A virada veio aos 25 anos, durante uma missa jovem na Paróquia Menino Deus, no Jardim Porto Alegre, quando recebeu do padre Jociel Cristiano de Almeida o convite para conhecer o Seminário. “Aquela brasa que estava apagada começou novamente a ganhar força”, contou. Ele fez o acompanhamento vocacional com o padre Juarez Pereira de Oliveira, então diretor espiritual, e no ano seguinte entrou no Seminário Maior Maria Mãe da Igreja, no curso de Filosofia, na época, a casa reunia oito seminaristas.
Pelo caminho vieram os desafios: sair de casa, conviver com uma nova “família”, dar aulas de catequese na Paróquia São Francisco de Assis, no Jardim Coopagro, em Toledo, e atravessar a pandemia de Covid-19 dentro da casa de formação, ainda na etapa da Filosofia. Na Teologia, os seminaristas passaram a morar em Toledo, o curso antes funcionava em Curitiba (PR), e a estudar em Cascavel, no Seminário São José.
Um dos períodos mais marcantes foi a missão no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba (AM), perto de Manaus. “Voltei vendo a vida de outra maneira, valorizando coisas pequenas que a gente acabava deixando de lado”, disse. Ele mantém contato com a comunidade até hoje.
As dúvidas também fizeram parte da caminhada. “A gente sempre se pergunta: será que é isso mesmo? Será que é isso que Deus quer de mim? Mas Deus vai mostrando o caminho, e tudo vai se encaixando como um quebra-cabeça”, afirmou. No apoio, ele citou a mãe, o pai e as irmãs, além de padres da Diocese, como Neto, Lucas Sebastião Schwarz, Juarez e Lucimar Antonio Castellani, e do bispo. O padrinho de ordenação é o padre Luiz Carlos Franzener, atual reitor do Seminário Maria Mãe da Igreja, que acompanhou todas as fases da formação, foi seu pároco, professor na Teologia e orientador do trabalho de conclusão de curso.
O lema escolhido para a ordenação é “Eu sou a videira e vós sois os ramos”, passagem do Evangelho de João que o acompanha desde que reparou nas videiras pintadas na comunidade São João Batista, no Jardim Maracanã. “A videira só produz fruto se está ligada ao tronco, e o tronco é Cristo”, explicou. A data da ordenação, 1º de agosto, é dedicada a Santo Afonso Maria de Ligório, a quem ele pede que interceda pelo ministério, ao lado de Santo Antônio de Pádua e São Francisco de Assis, santos que o inspiram.
Sobre o padre que pretende ser, a resposta foi direta. “Quando for para chorar, choramos juntos; quando for para rir, vamos rir e festejar juntos. Ser padre é caminhar junto em todos os momentos e gastar a vida pela comunidade”. Entre os desafios do sacerdócio hoje, ele aponta a tecnologia, a inteligência artificial e as redes sociais, tema levantado pelo papa Leão XIV, e lembra o exemplo de São Carlo Acutis para a evangelização nos meios digitais.
Tríduo, ordenação e primeira missa
O tríduo de preparação começou na quarta-feira (29), na Igreja Matriz São Pedro e São Paulo, e se encerra nesta sexta-feira (31), com celebrações às 19h30 na Matriz e nas capelas São José Operário (Vila Pioneiro), São João Batista (Jardim Maracanã), Maria Mãe da Igreja (Vila Paulista) e São Vicente de Paulo (Vila Boa Esperança). Na celebração da São José Operário, serão abençoadas as vestes sacerdotais do diácono. Na quinta-feira (30), houve missas nas capelas e a bênção do cálice que será usado na ordenação.

Após a celebração deste sábado (01), haverá almoço na comunidade São José Operário, vendido a R$ 60,00. A primeira missa do novo padre será no próximo domingo (02), às 09h30, na comunidade São Vicente de Paulo, também seguida de almoço, a R$ 35,00 no salão da comunidade. “Venham celebrar e festejar conosco este momento de fé”, convidou.