Por trás das discussões sobre legislação, pesquisa científica e políticas públicas, existem histórias marcadas pela busca por dignidade e qualidade de vida. No 5º Fórum Paranaense de Cannabis, realizado no campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Toledo, foram justamente essas histórias que deram sentido ao encontro.
Reunindo pacientes, familiares, profissionais da saúde, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e autoridades políticas, o evento transformou a universidade em um espaço de escuta, produção de conhecimento e reflexão sobre o potencial terapêutico da cannabis medicinal e os desafios enfrentados por quem depende desse tratamento.
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Combate Diniz Móveis e EletroMais do que discutir uma planta, o Fórum colocou em pauta o direito à saúde, o acesso a terapias seguras e a necessidade de superar preconceitos históricos que ainda dificultam o debate público sobre o tema.
Histórias que mostram o impacto do tratamento
Entre as vozes que marcaram o evento esteve a de Osmar Carlos Correia, morador de Toledo há 36 anos. Diagnosticado com depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia e dores crônicas, ele relatou que passou anos em tratamento convencional sem alcançar os resultados esperados.
Segundo Osmar, a mudança começou após o acompanhamento especializado e o uso do canabidiol. "Eu tomava dez tipos de remédio, porém quando conheci o Instituto Sativas, passei a utilizar o canabidiol. Hoje eu tomo duas gotas de manhã e duas à tarde. Remitiu toda a minha enfermidade. Não tomo mais medicamento", contou. Os especialistas presentes no Fórum reforçaram que o uso terapêutico da cannabis deve ocorrer com acompanhamento profissional e indicação adequada às necessidades de cada paciente.
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O paciente destacou ainda a transformação em sua rotina e autonomia. "Eu fiquei afastado pelo INSS durante dez anos. Hoje estou trabalhando normalmente e cheio de projetos. O canabidiol mudou a minha vida", afirmou. Relatos como o de Osmar reforçam a importância de ampliar o acesso à informação e aos tratamentos, especialmente para pessoas que convivem com doenças crônicas e condições que comprometem a qualidade de vida.
Universidade como espaço de conhecimento e diálogo
A realização do Fórum na Unioeste evidenciou o papel da universidade pública na produção científica e na construção de debates socialmente relevantes.
Representando a diretora-geral do campus de Toledo, a professora Ana Nisiide, coordenadora do curso de Serviço Social, destacou que o evento fortalece o compromisso institucional com a pesquisa e os direitos humanos. "Esse evento é uma importante oportunidade para que possamos fortalecer a ciência, a inovação e o desenvolvimento tecnológico relacionados à cannabis, especialmente no que se refere ao seu potencial terapêutico, às contribuições para a promoção da saúde, da qualidade de vida e da garantia dos direitos humanos", afirmou.
A professora ainda ressaltou que o conhecimento científico é fundamental para combater estigmas históricos. "Também é fundamental destacar o papel da universidade pública e de toda a sociedade na superação de preconceitos que, por muito tempo, dificultaram o debate qualificado e o desenvolvimento científico nessa área. O conhecimento, a pesquisa e o diálogo são ferramentas essenciais para promover decisões efetivas e contribuir para o avanço da ciência em benefício da população", comentou.
A professora Isabel Formoso, uma das responsáveis pela organização local do evento, reforçou que a universidade deve ser um ambiente de acolhimento e construção coletiva. "Nós sediamos esse evento em virtude do objetivo que a universidade pública tem na produção do conhecimento científico, nas pesquisas e como espaço político de enfrentamento aos preconceitos e às barreiras para avançar nas pesquisas e no acesso aos medicamentos", disse.
Saúde pública e acesso ao tratamento
Durante o Fórum, representantes do poder público defenderam a ampliação do acesso aos tratamentos à base de cannabis e de outras plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS).
O deputado federal Elton Welter afirmou que o país vive um momento importante na construção de novas políticas públicas voltadas à fitoterapia e à cannabis medicinal. "O país vai caminhar a passos largos nessa questão, tanto da cannabis quanto do uso de plantas medicinais no SUS. Muito em breve teremos avanços importantes para fortalecer essa política pública", declarou.
Elton destacou ainda o potencial dessas iniciativas para promover desenvolvimento local e ampliar o acesso aos tratamentos. "Estamos falando de saúde, geração de renda e desenvolvimento. É uma oportunidade de construir políticas que beneficiem diretamente a população", afirmou.
Superando preconceitos históricos
Idealizador do Fórum e autor da Lei Pétala, legislação estadual que trata do acesso a medicamentos à base de canabidiol e tetrahidrocanabinol no Paraná, o deputado estadual Goura defendeu que o debate sobre a cannabis deve estar centrado nas pessoas e em seus direitos. "Essa é uma luta por cidadania, saúde, dignidade e uma luta para vencer preconceitos", afirmou.
Para o parlamentar, a revisão das políticas relacionadas à cannabis é resultado da mobilização social e do esforço de famílias, pesquisadores e pacientes. "Estamos falando de uma planta que foi objeto de ignorância, tabus e preconceitos. Essa revisão histórica só está acontecendo graças à coragem de movimentos sociais, instituições e cidadãos que enfrentaram essas barreiras", destacou.
O representante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Felipe Nadai, também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por pacientes que utilizam tratamentos à base de cannabis. "Muitas pessoas ainda perdem seus tratamentos, suas plantas ou seus produtos em abordagens policiais. Isso mostra que ainda existem obstáculos importantes para quem busca esse cuidado", observou.
Segundo ele, o fortalecimento da produção científica tem contribuído para ampliar a compreensão sobre os usos terapêuticos da cannabis. "Pesquisadores estão tendo a oportunidade de produzir evidências e apresentar novos conhecimentos, fundamentais para qualificar esse debate", disse.
Ao longo de suas cinco edições, o Fórum Paranaense de Cannabis consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, sociedade civil e poder público. Em Toledo, o encontro reforçou que as discussões sobre cannabis medicinal vão além de aspectos jurídicos e legislativos: tratam do acesso à saúde, da qualidade de vida e do reconhecimento das necessidades de milhares de pessoas que buscam alternativas terapêuticas respaldadas pela pesquisa científica e pelo cuidado humanizado.