Os magos se ajoelharam diante d’Ele, e o adoraram

A festa da Epifania completa a celebração do Natal e nos ajuda a compreender melhor o que Deus fez por nós. Ao se encarnar, Deus não apenas passou pela história, Ele se deixou ver, se deixou encontrar. Por isso, a Epifania nos recorda que somos chamados a buscar os sinais da presença de Deus no dia a dia e a reconhecê-los na nossa própria história. O caminho dos Magos continua a encantar, mas também nos questiona. Ele nos faz perguntar se estamos dispostos a sair de nós mesmos, com liberdade de coração, para ir ao encontro e adorar o Deus que se fez homem.
O evangelho (Mt 02, 01-12) coloca a caminhada dos Magos ao lado do forte apelo do profeta Isaías (Is 60, 01-06), dirigido a um povo cansado, ferido e com pouca esperança.
Mesmo nesse contexto de escuridão, Deus pede que Jerusalém se levante e brilhe, porque a sua luz já está presente. Confiando nessa palavra, o povo pode tornar-se sinal de esperança para todos, atraindo as nações, que caminham à sua luz e ao esplendor do seu nascer.
Essa imagem nos ajuda a entender que o Natal não é apenas uma lembrança bonita ou um dom do passado. É a chegada de uma luz forte e verdadeira que Deus colocou no meio das trevas do mundo. Quando deixamos essa luz nos tocar, nossa vida também começa a iluminar. Assim, anunciamos com gestos e atitudes que Deus está conosco e não nos abandona.
O apóstolo Paulo (Ef 03, 02-03a.05-06) nos recorda que essa luz é um dom totalmente gratuito e inesperado. Ela não é fruto de esforço humano, mas revelação do Espírito.
Na Bíblia, mistério não significa algo escondido para sempre, mas uma verdade que Deus revela aos poucos, respeitando nosso tempo e nossa liberdade. É um caminho que cresce à medida que o coração se abre e amadurece.
Por isso, a Epifania nos convida a rever se estamos dispostos a viver como pessoas em caminho, conscientes de que ainda nos falta algo. Os Magos chegam até Jesus com presentes nas mãos, mas sobretudo com o coração aberto. Eles descobrem que o Menino não veio apenas para um povo, mas para todos. Em Cristo, todos são chamados a participar da mesma promessa e da mesma vida nova.
Encontrar Jesus exige atravessar limites, deixar falsas seguranças e aceitar fazer novas perguntas. Os Magos não têm medo de perguntar onde está o Rei recém-nascido. Eles reconhecem que ainda estão buscando. Já Herodes e Jerusalém se fecham, com medo de perder os seus equilíbrios e o seu poder, e por isso não conseguem acolher a novidade de Deus.
A Epifania nos lembra, enfim, que a luz verdadeira continua brilhando e esperando o nosso desejo. Quando nos deixamos encontrar por essa luz, o coração se abre, se enche de alegria e se transforma. Celebrar a Epifania é permitir que Deus nos encontre em movimento, em busca, com humildade. É reconhecer que somente diante do Mistério, de joelhos e com o coração aberto, podemos experimentar a plenitude que ainda buscamos.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo. Novos conteúdos são publicados semanalmente.
















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