Precisar de mais iluminação para ler, evitar dirigir à noite, perceber as cores menos vivas ou limpar repetidamente os óculos para tentar eliminar o embaçamento são mudanças que podem parecer normais com o avanço da idade. No entanto, esses comportamentos também estão entre os sinais associados à catarata.
A atenção a essas alterações ganha relevância diante do envelhecimento acelerado da população paranaense. Entre 2012 e 2025, o número de moradores com 60 anos ou mais cresceu 55,42% no Paraná, passando de 1,28 milhão para 1,98 milhão de pessoas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural localizada dentro do olho, perde gradualmente a transparência. Com isso, a passagem da luz é prejudicada e as imagens deixam de ser formadas com a mesma nitidez. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 94 milhões de pessoas tenham comprometimento visual moderado ou grave, ou cegueira, em decorrência da catarata não operada. A condição está entre as principais causas de perda visual no mundo.
“Muitas pessoas acreditam que enxergar menos é uma consequência inevitável do envelhecimento. No entanto, quando a dificuldade começa a interferir em atividades que antes eram realizadas normalmente, é importante investigar”, explica a oftalmologista do Hospital de Olhos de Cascavel e Toledo, Dra. Letícia Cantelli Daud.
Mudança na rotina e visão turva
Nos estágios iniciais, a catarata pode provocar alterações discretas. Um dos relatos mais frequentes nos consultórios é a sensação de que as lentes dos óculos estão constantemente sujas. “O paciente limpa os óculos várias vezes, mas o embaçamento permanece. Esse é um sinal que costuma ser ignorado porque a pessoa acredita que o problema está nas lentes ou no grau. Quando a necessidade de trocar os óculos se torna recorrente, é preciso avaliar se existe alguma alteração no cristalino”, orienta a especialista.
Nem sempre a pessoa percebe imediatamente que está enxergando menos. “Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem por meio de adaptações na rotina, como aproximar o celular do rosto, aumentar o tamanho das letras, procurar ambientes mais iluminados ou deixar de realizar determinadas tarefas”, orienta a médica.
Avaliação oftalmológica
Durante a cirurgia, o cristalino opaco é substituído por uma lente intraocular artificial e transparente. A escolha considera as características dos olhos, a condição da retina e do nervo óptico e as necessidades visuais de cada paciente. “Cada caso é avaliado individualmente. O objetivo é buscar segurança e proporcionar a melhor qualidade visual ao paciente. A decisão considera os sintomas, as necessidades visuais e as condições gerais dos olhos”, esclarece a oftalmologista, Dra. Letícia Cantelli Daud.