Adoção de ovitrampas traz mudanças no combate ao Aedes Aegypti em Toledo


Foto: Divulgação
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A estratégia de enfrentamento ao Aedes aegypti em Toledo passa por mudanças desde a primeira quinzena de agosto de 2025, com a implantação de ovitrampas em diferentes regiões da cidade. Os dispositivos, recomendados pelo Ministério da Saúde, ampliam a capacidade de monitoramento do mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus e permitem decisões mais rápidas e direcionadas.

Antes da adoção das ovitrampas, o direcionamento das ações no município era definido principalmente a partir das notificações de casos suspeitos de dengue e dos resultados do Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), realizado periodicamente. No modelo anterior, o monitoramento ocorria em intervalos mais longos e servia como base para o deslocamento das equipes.

As ovitrampas funcionam como pontos de atração para as fêmeas do mosquito, que depositam seus ovos em lâminas de eucatex instaladas em pequenos recipientes com água. Periodicamente, essas lâminas são recolhidas, substituídas por novas e encaminhadas ao Setor de Controle e Combate a Endemias para análise.

A partir disso, é possível identificar não apenas a presença do mosquito, mas também a intensidade da infestação em cada região monitorada. O coordenador do setor, Antônio José de Sousa de Moraes, detalha que o método trabalha com mais de um indicador e oferece uma leitura mais precisa do cenário. “Hoje avaliamos o índice de positividade dos ovos e também o índice de densidade”, comenta. “Esses dados mostram que Toledo tem mosquito circulando em todo o território, o que é uma situação preocupante”, alerta.

Mapas de calor

Os resultados das coletas são inseridos em uma plataforma do governo federal (Conta Ovos), que gera mapas de calor e aponta as áreas com maior presença do mosquito. Essa visualização espacial permite identificar os chamados hotspots e direcionar de forma mais precisa as ações de campo.

Segundo o coordenador, a principal mudança está na frequência e na agilidade da tomada de decisão. “Com as ovitrampas, passamos a ter dados semanais ou quinzenais, e isso muda completamente a forma de atuar”, salienta. “Agora conseguimos direcionar todos os agentes para as áreas quentes, onde o risco é maior”, destaca.

Com base nesses dados, o município pode ajustar o trabalho dos agentes de combate a endemias (ACE), intensificando ações em regiões com maior concentração de ovos e redimensionando as rotinas em áreas com menor circulação do vetor. Ao comparar os dois modelos, Moraes ressalta o ganho de eficiência e a redução de desperdícios.

Ele lembra que o ciclo do mosquito é curto e que decisões espaçadas comprometiam a efetividade das ações. “O ciclo de infestação do mosquito é de cerca de sete dias, e trabalhávamos com um levantamento feito a cada dois meses”, observa. “Muitas vezes movimentávamos equipes inteiras sem necessidade, enquanto áreas críticas precisavam de mais atenção”, completa.

Maior frequência

A incorporação das ovitrampas também altera a relação entre o poder público e a população, já que a presença dos agentes tende a ser mais frequente em áreas classificadas como de maior risco. Nesse ponto, o coordenador reforça a importância da compreensão e da colaboração dos moradores.

De acordo com o coordenador, a intensificação das visitas deve ser encarada como algo positivo. “A população precisa entender que, quando o agente passa mais vezes naquela área, isso é um sinal de alerta à saúde”, enfatiza. “Não é algo negativo; é justamente para evitar que um surto aconteça”, acrescenta.

Mudança metodológica

A adoção do monitoramento contínuo por ovitrampas também traz uma mudança metodológica importante. O LIRAa, que antes era realizado a cada dois meses, passará a ocorrer apenas duas vezes por ano, em maio e novembro.

Para Moraes, a substituição da estratificação bimestral por mapas de calor representa um avanço significativo. “Antes, nossa equipe trabalhava com planilhas e gráficos; agora o sistema mostra diretamente os pontos de calor no território”, explica. “Isso dá muito mais clareza sobre onde estão as maiores probabilidades de surtos”, finaliza.

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