O atleta toledano William Carboni Kerber passou, no último fim de semana, por um procedimento baseado na técnica da polilaminina, descoberta científica da pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio. A intervenção foi realizada no sábado, 21, no Hospital da Unimed, em Foz do Iguaçu-PR, por uma equipe multidisciplinar formada pelos neurocirurgiões Bruno Cortes e João Elias El Sarraf, além do pesquisador médico Artur Luiz.

William foi internado na sexta-feira, 20, submetido ao procedimento na manhã de sábado e recebeu alta no domingo, 22. Segundo a família, o estado de saúde do atleta era considerado bom antes da cirurgia e, após a aplicação da técnica, ele também segue bem. Atualmente, ele está sendo cuidado pelos familiares na cidade de Palotina-PR, onde dará continuidade ao processo de recuperação.

O acesso ao tratamento ocorreu após a família entrar em contato com o laboratório responsável pela técnica, sendo William enquadrado nos critérios estabelecidos para o grupo de testes. A escolha de Foz do Iguaçu para a realização do procedimento levou em conta a infraestrutura hospitalar e a logística favorável para o deslocamento do paciente e da equipe médica. Profissionais de Palotina também participaram da intervenção, reforçando a integração entre especialistas de diferentes municípios.
Este foi o terceiro procedimento com polilaminina realizado por João Elias El Sarraf no Paraná em 2026. O primeiro ocorreu em Londrina e, ainda no mesmo sábado, após a cirurgia em Foz do Iguaçu, o médico integrou outra equipe para aplicação da técnica em Cascavel, ampliando o número de pacientes atendidos com a nova abordagem terapêutica no estado.

A expectativa agora é acompanhar a evolução clínica do atleta, que deverá iniciar um período de fisioterapia intensiva como parte fundamental da reabilitação. Os resultados desses primeiros casos no Paraná também contribuem para o aperfeiçoamento da técnica e para a ampliação das possibilidades de tratamento de lesões medulares graves, dentro dos avanços da medicina regenerativa brasileira.
Relembre o caso
William ficou gravemente ferido em um acidente de trânsito registrado na manhã de 19 de outubro de 2025, na rodovia PR-317, entre Ouro Verde do Oeste-PR e São José das Palmeiras-PR. No veículo estavam quatro atletas do time adulto da Associação de Voleibol de Toledo (Avotol). O carro saiu da pista e colidiu contra árvores às margens da rodovia. Um dos ocupantes, Julio Cezar dos Passos, de 25 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
William sofreu as lesões mais graves. Ele teve fraturas nas costelas, lesões na coluna torácica e na medula espinal, nas vértebras C4 e C5, o que comprometeu os movimentos do pescoço para baixo. O atleta permaneceu internado por longo período, inclusive em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até receber alta hospitalar no mês de janeiro deste ano.
Com histórico no voleibol desde os 13 anos, William passou por equipes como Sesi-SP, América-MG, Blumenau-SC, Suzano-SP e Ribeirão Preto Vôlei, além de defender recentemente a equipe adulta de Toledo no Campeonato Paranaense e atuar na formação de jovens atletas em Toledo e Palotina.
Sobre a polilaminina
A polilaminina é um material biotecnológico derivado da laminina, proteína presente na matriz extracelular responsável por dar suporte e orientação às células. A técnica utiliza uma forma polimerizada dessa proteína, criando um ambiente que favorece a regeneração celular, especialmente em tecidos lesionados.
A substância atua como um “andaime biológico”, estimulando a adesão, sobrevivência e crescimento de células, podendo auxiliar na regeneração de fibras nervosas. As pesquisas com laminina começaram nas décadas de 1970 e 1980 e evoluíram com os avanços da engenharia de tecidos e da medicina regenerativa.
Os primeiros resultados relevantes foram observados em estudos laboratoriais e em modelos animais, indicando aumento no crescimento de neurônios e melhora na regeneração de fibras nervosas após lesões experimentais. Em humanos, os dados ainda são considerados limitados e o tratamento segue em caráter experimental, dependendo de estudos clínicos mais amplos e validações regulatórias.
Para a família, o procedimento representa um novo capítulo na luta do atleta pela recuperação. A evolução clínica nas próximas semanas será determinante para avaliar os impactos da técnica associada à reabilitação intensiva.