Transmitidas pelo mesmo mosquito (Aedes Aegypti), dengue e chikungunya seguem caminhos opostos em Toledo: os casos de dengue caem, enquanto os de chikungunya avançam e já superam o total de todo o ano passado. Para o setor de combate a endemias, a explicação está na imunidade da população.
São 22 casos confirmados de chikungunya em 2026, contra 17 em todo o ano de 2025, e 41 de dengue, sem mortes pelas duas doenças, segundo o boletim mais recente da Secretaria da Saúde.
O coordenador do Setor de Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes atribui o movimento à chamada imunidade de rebanho. Anos seguidos de surtos de dengue deixaram boa parte da população já exposta ao vírus. "Em 2025 a gente teve mais de 1 mil casos de dengue, e isso significa que uma parcela gigantesca da população já teve contato com os sorotipos que circulam aqui. Quando o vírus entra em contato com uma pessoa que já tem aquele sorotipo, encontra resistência e não se manifesta", explicou.
Com a chikungunya ocorre o oposto: por ser um vírus relativamente novo na cidade, encontra uma população quase toda sem defesa. De acordo com o coordenador, ao picar uma pessoa infectada, o mosquito passa a carregar o vírus, que encontra um campo aberto em uma população sem imunidade, como ocorreu com a dengue no passado, tornando a propagação muito mais rápida.
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A presença do mosquito, porém, não se limita à região do Grande São Francisco, onde os casos se concentraram. O LIRAa de maio encontrou focos do Aedes Aegypti em 47 localidades de Toledo, quase toda a cidade, o que significa que qualquer criadouro pode virar um novo ponto de transmissão.
Alerta para o segundo semestre
O índice de infestação de 4,3% apurado em maio ficou acima do 1% tolerado pelo Ministério da Saúde. O frio deve dar uma trégua ao ciclo do mosquito, mas o coordenador alerta para o que vem depois. Para ele, o verdadeiro perigo está na virada do segundo semestre, a partir de outubro e novembro, quando o calor se intensifica e as chuvas voltam; se nesse período a infestação seguir tão alta quanto a de maio, o risco de um repique de casos é real.
O coordenador ponderou ainda que o quadro pioraria com a chegada de um novo tipo de dengue: a introdução de um sorotipo 04, para o qual a população ainda não tem imunidade, representaria um problema de saúde pública no futuro. Por isso, reforçou, o cuidado vale para as duas doenças: eliminar criadouros e vistoriar quintais ao menos duas vezes por semana.