A advogada Graziela Gobbato é candidata pelo Republicanos a uma das cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) no pleito deste ano.
Natural de Ponta Grossa-PR e criada em Curitiba-PR, Graziela mora em Toledo desde 1987, onde fixou raízes atuando na advocacia e na docência.
Advogada de formação desde 1998 e Mestre em Direito Negocial e Especialista em Gestão Ambiental, Graziela, concedeu uma entrevista onde detalha o que levou a colocar seu nome à disposição da população paranaense como candidata e como está sendo esse início de campanha eleitoral.
Quais as suas principais bandeiras e propostas de campanha?
???Eu tenho quatro bandeiras principais em minha campanha. A primeira delas é a busca por representatividade feminina na política paranaense. Outra bandeira que carrego é o agronegócio e o desenvolvimento sustentável. Também vou lutar pela educação fundamental, média e superior. Outra luta importante é para melhorarmos a saúde pública preventiva???, fala a candidata.
Porque decidiu colocar o seu nome à disposição para uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná?
???Eu credito minha decisão pautada em dois fortes motivos. Um origina-se do fato de que eu sou advogada, o ordenamento jurídico faz parte de meu cotidiano, e sabemos que lidar com a legislação é uma das mais recorrentes competências dos deputados. Elaborar leis, analisar projetos de outros colegas, enfim, tudo ali permeia em torno de questões jurídicas e, além disso, já há muitos anos colaboro com a produção de projetos de lei, em sua maioria voltados à questão ambiental, isso me favorece muito, facilitaria meu trabalho. O segundo motivo, não menos importante, é oriundo de minha indignação em relação ao status como se apresenta hoje a política. O índice de descrédito que a classe política tem perante a população é assustador. Não lembro de tempos passados, em que se falava tanto de más condutas, corrupção, impunidade, entre outros problemas, não que isso não existisse, porém, a sociedade tornou-se mais atenta às ações dos políticos. Há pouco tempo atrás, as pessoas escolhiam seus representantes sem muito critério, mal sabiam o nome deles pouco tempo depois de eleitos. Também não acompanhavam seu trabalho e sequer fiscalizavam sua atuação. Percebo que os tempos estão mudando. O cidadão brasileiro está ficando mais exigente. Está questionando mais as atitudes, ou a falta delas. Eu me incluo nesse rol de pessoas insatisfeitas com o rumo que as coisas tomaram. Cansei de apenas ser uma mera expectadora, de reclamar sem ser ouvida, de me sentir explorada. Por essa razão me coloco à disposição da sociedade para desenvolver um trabalho que predomine uma política mais limpa, por alguém que represente o povo com o respeito que ele merece, que trabalhe para dar dignidade às pessoas???, disse Gobbato.
Acredita que pode contribuir com a população paranaense?
???Eu acredito que tenho muito a contribuir para melhorar essa velha política, além disso, pretendo introduzir o olhar feminino e a nossa maneira de solucionar conflitos, o que é importante na atual conjuntura, pois, incide em uma visão mais humanizada ou com maior afetividade, em um ambiente um tanto quanto hostil. Me apresento como uma opção de alguém que deseja combater essa maneira de servir o povo???, afirma.
Como está sendo a receptividade da população nesse período inicial de campanha?
???Felizmente temos encontrado pessoas que estão nos incentivando, encorajando a continuar a caminhada, principalmente por termos um número reduzido de mulheres que estão ou desejam estar na política. Mesmo sabendo que dificuldades existirão estou saindo com a cara e a coragem???, destaca Graziela Gobbato.
Como está sendo trabalhada a campanha? Está sendo focada em Toledo, ou tem tido uma caminhada regional e por todo o estado em busca de apoios?
???Até o momento estamos trabalhando em Toledo, presencialmente e via redes sociais. Em algumas outras cidades o trabalho tem sido feito com parentes e amigos na divulgação e também através de redes sociais. ?? dessa forma que estamos buscando apoio em outras localidades no momento???, revela.
Você tem uma atuação muito forte na área ambiental. Alguma proposta específica para essa área?
???Sim, atuei muito tempo na área ambiental, tenho uma verdadeira paixão por ela. Todas as questões ambientais devem seguir legislações que norteiam o tema. Penso que a questão ambiental deve ser vista de forma sistêmica, quer dizer, utilizada como um instrumento de gestão, pois permite a verificação do complexo corporativo. O planejamento estratégico empresarial baseado na visão sistêmica é hoje muito importante nos negócios globalizados. Esta visão permite avaliar a empresa interagindo com outros elementos, estudando esse processo como um todo. O resultado é maior eficiência e redução de custos. As propostas devem surgir da necessidade específica de alguma atividade em qualquer segmento, que possa ser desenvolvida ou melhorada, sob a ótica sistêmica, tendo em vista uma preocupação em atingir padrões normativos para atender à legislação. Como disse acima, tudo acaba permeando o âmbito legislativo, por obvio não é difícil perceber que através de projetos de lei, podemos implementar políticas públicas que façam inserção da gestão sistêmica, quer seja no ambiente público ou privado???, explica.
Uma de suas bandeiras é dar maior suporte para as mulheres paranaenses. Como pode e pretende contribuir nesse sentido?
???Nós passamos aproximadamente 20 anos de nossas vidas nas escolas. Entretanto, não nos ensinam sobre política. Infelizmente, não ensinam a ver a política como algo útil e importante. Estou falando da política na melhor concepção do termo, aquela que nos ensina a tomar decisões pensando no bem comum, aquela política que nos ensina a defender uma causa ou valores e princípios. Aqui é o ponto principal da questão. Nós precisamos ressignificar não só a escola e o papel de aprendizagem que a escola nos coloca, mas também o papel da política. Isso de uma maneira genérica, no entanto, precisamos estimular que mais mulheres se candidatem, temos que mudar a referência de que só homens estão na política. A gente precisa que essa causa seja de todos nós, dos partidos políticos, da sociedade, de homens e mulheres. Através de políticas públicas que façam um chamamento à questão, que incentivem através de programas educacionais o interesse da ala feminina ao assunto por exemplo. Sendo importante a iniciação nas escolas, não só com as mulheres, bem como, com nossos jovens, resgatando o espírito cívico, o patriotismo, a organização social e política do Brasil. Não podemos deixar de falar sobre políticas públicas voltadas à saúde da mulher, como por exemplo o parto humanizado, a fisioterapia pélvica, a gestação de risco, entre outras, aperfeiçoando as que já existem, criando as que faltarem, modificando as ineficientes??? pontua Graziela.
Toledo não conta com representantes na Câmara Estadual e Federal no momento. Como você enxerga a importância dessa representatividade e como poderá colaborar com o município?
???Em uma democracia, o Poder Legislativo representa a voz da população. Um deputado na cidade é muito importante para garantir a representatividade política que contribua para conquistar recursos que atendam às necessidades referentes ao município, como por exemplo na área da saúde e educação, ou em outras tantas áreas. Quando não temos representantes no Legislativo Estadual ou Federal, perdemos capacidade na realização de ações e obras, uma vez que parte da renda dos municípios vem de emendas parlamentares, mas não é apenas isso, como uma das funções dos deputados é a fiscalização das ações do Poder Executivo, quando temos deputados vigilantes, podemos evitar a centralização do poder e ainda contribuir para um Estado mais organizado e uma administração transparente, que por sua vez estará mais aberta à participação popular???, finaliza Graziela Gobbato.
Em 2022 os brasileiros votam para escolher os seus representantes aos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. O primeiro turno das eleições será no dia 02 de outubro e o segundo turno será em 30 de outubro.