A recente conquista da estudante Beatriz Maria Ferreira dos Santos na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, considerada a mais importante feira científica pré-universitária do mundo, é apenas mais um capítulo de uma história que começou há mais de 10 anos dentro do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, em Toledo. Por trás do terceiro lugar mundial conquistado pela jovem pesquisadora está o trabalho desenvolvido pelo Clube de Ciências da instituição, projeto que vem transformando a vida de dezenas de estudantes e levando o nome do município para os principais eventos científicos do Brasil e do exterior.

Criado em 2014, o Clube de Ciências surgiu com o objetivo de aproximar os alunos das práticas experimentais de física, química e biologia. Com o passar dos anos, a iniciativa evoluiu para um espaço de iniciação científica onde os estudantes aprendem a identificar problemas, formular hipóteses e desenvolver pesquisas voltadas à busca de soluções para desafios reais. Atualmente, cerca de 80 alunos participam do projeto em contraturno escolar, desenvolvendo aproximadamente 40 pesquisas em diferentes áreas do conhecimento.

A coordenadora do Clube, Dioneia Schauren, lembra que a proposta mudou de rumo quando percebeu que os estudantes precisavam ir além das experiências já prontas. “Nós entendemos que ser cientista não era apenas reproduzir experimentos, mas encontrar um problema, propor uma solução e testar essa hipótese. Foi a partir daí que começaram a surgir os primeiros projetos de pesquisa”, recorda.

Desde então, os resultados se multiplicaram. O grupo passou a participar de feiras científicas estaduais, nacionais e internacionais, conquistando premiações, bolsas de estudo e reconhecimento acadêmico. A conquista mais recente veio com a estudante Beatriz, que representou o Brasil na ISEF 2026 e conquistou o terceiro lugar mundial na categoria Ciências das Plantas com uma pesquisa voltada ao cultivo de orquídeas.

Para a jovem pesquisadora, o Clube de Ciências foi determinante em sua formação. “O Clube de Ciências é como se fosse uma família para mim. A professora Dioneia me acompanha em todos os experimentos, me ensina coisas que eu jamais estudaria apenas na sala de aula e me ajudou até mesmo a definir meu futuro profissional. Hoje penso em cursar Biologia por causa dessa experiência”, afirma.

Segundo Beatriz, o projeto também ensina valores como união e perseverança. “Somos uma escola estadual e muitas vezes não temos recursos. Então nos unimos como uma família, fazemos venda de pizzas, macarronadas e outras ações para arrecadar dinheiro e participar das feiras. Foi assim que conseguimos chegar a eventos em vários estados e até à maior feira científica do mundo”, relata.

Dioneia destaca que o maior legado do Clube de Ciências vai além dos troféus e medalhas. “Quando você trabalha em uma escola pública, encontra alunos de diferentes realidades e muitos deles não acreditam que podem chegar a uma universidade. O Clube mostra justamente o contrário. Nos últimos três anos, 100,00% dos alunos que saíram do projeto ingressaram no ensino superior, e cerca de 95,00% entraram em universidades públicas. Mais do que formar pesquisadores, nós ajudamos a construir perspectivas de futuro”, ressalta.

A premiação conquistada por Beatriz na ISEF reforça a dimensão do trabalho desenvolvido em Toledo. Em uma competição que reúne os melhores projetos científicos estudantis do planeta, a estudante colocou o Brasil, o Paraná e o Colégio Estadual Jardim Porto Alegre entre os destaques mundiais. Um resultado que evidencia como a ciência produzida dentro de uma escola pública pode ultrapassar fronteiras e transformar vidas.
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