A confirmação do fenômeno climático conhecido como El Niño acendeu um alerta para a agricultura paranaense nesta quinta-feira (11).
Caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial e pela mudança da pressão atmosférica e dos ventos, o fenômeno provoca aumento significativo no volume de chuvas e das temperaturas na região Sul do Brasil, cuja instabilidade poderá afetar negativamente a safra do agronegócio paranaense.
A informação foi confirmada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão norte-americano que monitora eventos climáticos na região do Pacífico. De acordo com a instituição dos EUA, o fenômeno já começou e poderá se intensificar até o fim de 2026 e começo de 2027.
Na semana passada, a diretora da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, já havia alertado que o mundo poderia enfrentar um El Niño capaz de exacerbar a seca e as chuvas intensas, além de aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano.
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Restaurante FilezãoO ápice do El Niño, estimam os cientistas, acontecerá entre a primavera e o verão de 2026/2027 do Hemisfério Sul. O governo do Paraná comunicou que o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) já está em alerta para acompanhar os desdobramentos do El Niño no estado.
“A direção dos ventos na região do Oceano Pacífico Equatorial, que era de leste para oeste, começou a mudar para o sentido contrário, trazendo as águas quentes da Oceania em direção ao oeste da América do Sul. Isso pode retroalimentar o aquecimento da água e mudar o regime das tempestades em vários locais do planeta”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
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Embora o fenômeno seja cíclico, análises recentes indicam que os impactos podem ser mais intensos e menos previsíveis, o que aumenta os riscos para a safra 2026/27. O início oficial do ciclo agrícola, em 1º de julho, deve coincidir com a consolidação do El Niño, elevando o grau de incerteza justamente em um momento estratégico para o planejamento do plantio.
Apesar de causar um aumento significativo no volume de chuvas na região Sul do Brasil, as regiões Norte e Nordeste tendem a sofrer com condições extremas de secas durante o El Niño.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera padrões globais de circulação atmosférica. Esse fenômeno desencadeia mudanças no regime de chuvas em diversas regiões do planeta, um efeito conhecido como teleconexão climática.
No caso do Sul do Brasil, e especialmente do Paraná, a tendência histórica é de aumento no volume de chuvas, principalmente durante a primavera e o verão. Segundo o professor Pedro Fontão, do Departamento de Geografia da UFPR, esse padrão já começa a aparecer nos modelos climáticos.
“O que temos observado nos prognósticos é uma probabilidade superior a 60% de formação do El Niño a partir de junho ou julho. Isso significa que a primavera e o verão, que já são períodos naturalmente chuvosos na região centro-sul, podem ter volumes ainda mais elevados de precipitação”, explica.
O meteorologista do Simepar alerta, contudo, que o El Niño não impactará as temperaturas e os níveis de chuva no Paraná pelo menos até o mês que vem.
“O El Niño não impacta, ainda, diretamente o clima no Paraná, mas já poderá impactar a partir de julho. As previsões dos principais centros de monitoramento climático no mundo convergem para o registro de chuvas acima da média mensal até dezembro no Paraná, sendo muito acima durante a primavera”, ressalta Reinaldo.
De acordo com a NOAA, há uma chance de 63% de que um El Niño muito forte ocorra entre os meses de novembro e janeiro. As análises do órgão apontam a possibilidade de que o fenômeno em 2026 seja classificado entre os maiores eventos de El Niño da série histórica, iniciada em 1950.