O que deveria ser um espaço de acolhimento, reconstrução de vidas e novos começos se transformou em um símbolo de interrupção e silêncio. No Oeste do Paraná, o Projeto Vila Mundo, idealizado para atender migrantes e refugiados, foi encerrado antes mesmo de iniciar suas atividades, após sofrer dois ataques de vandalismo em menos de três meses.
O imóvel, localizado em Marechal Cândido Rondon, estava quase pronto para abrir as portas. Camas organizadas, equipamentos instalados, materiais preparados para cursos profissionalizantes. Um espaço pensado para receber cerca de 30 pessoas que chegariam ao Brasil com uma bagagem comum: trabalho, esperança e ausência de estrutura para recomeçar. Todos já estavam empregados em empresas da região.
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SicoobMas o projeto não chegou a existir plenamente. Na madrugada de 24 de janeiro, o local foi invadido e teve parte significativa de sua estrutura destruída. Quando a equipe da Embaixada Solidária ainda tentava compreender a dimensão dos danos e reorganizar o espaço, um novo ataque foi registrado no dia 11 de abril. Desta vez, o que restava foi ainda mais comprometido. Cansados e vencidos pela criminalidade, os responsáveis pela acolhida anunciaram, com pesar, o recuo humanitário nesta segunda-feira (13).
Móveis foram quebrados, eletrodomésticos inutilizados, materiais de cursos destruídos e parte da estrutura física danificada. O impacto não foi apenas operacional — foi simbólico, emocional e uma mensagem clara contra a presença de migrantes e refugiados.
“Não foi um ataque a um prédio. Foi um ataque a um projeto de sociedade”, afirma a jornalista e fundadora da Embaixada Solidária, Edna Nunes. “Ali não existia apenas uma estrutura. Existia um caminho sendo construído para que outras pessoas pudessem recomeçar com dignidade”.
A Embaixada Solidária atua há mais de 12 anos no acolhimento de migrantes e refugiados, atendendo pessoas vindas de cerca de 50 países, além de brasileiros em situação de vulnerabilidade. O Projeto Vila Mundo seria a expansão desse trabalho, uma resposta concreta a uma demanda crescente no país. O projeto já recebeu visitas e projetos de agências ligadas à ONU. A instituição recebeu, recentemente, um dos mais importantes prêmios de Direitos Humanos do país, o Luiz Gama, justamente com o projeto que replicaria em Marechal Rondon. No fim do dia, centenas de mensagens de apoio já constavam nas redes sociais da entidade, que é muito popular no estado e no país.
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“Muitas famílias chegam ao Brasil já com emprego, mas sem onde morar, sem rede de apoio, sem orientação básica. O que elas precisam não é só oportunidade. É base. E o Vila Mundo era essa base”, explica Edna.
A proposta do espaço ia além do acolhimento emergencial. O projeto previa moradia temporária, orientação social e cursos de capacitação, como aulas de costura, com o objetivo de acelerar o processo de integração dessas famílias à sociedade brasileira.
Tudo isso foi interrompido. Uma incoerência. O episódio ocorre em um estado que, paradoxalmente, se destaca nacionalmente pela geração de empregos e pela abertura de oportunidades para migrantes e refugiados. O Paraná é reconhecido pela presença de empresas que atuam de forma exemplar na contratação dessa população, contribuindo diretamente para sua inserção econômica e social.
É justamente esse contraste que torna o caso ainda mais sensível. As oportunidades de trabalho estavam garantidas. As indústrias que empregariam essas pessoas ficam a cerca de 150 metros do local onde seria implantado o condomínio Vila Mundo. Ainda assim, sem uma estrutura mínima de acolhimento, o recomeço dessas famílias se tornou inviável.
“O Paraná é um estado de oportunidades. Muitas pessoas chegam com trabalho garantido. Mas trabalho não resolve tudo. Sem acolhimento, sem estrutura básica, essas pessoas continuam em situação de vulnerabilidade”, afirma Edna.
Após o segundo ataque, a decisão de encerrar o projeto em Marechal Cândido Rondon foi tomada. Para a fundadora, a escolha não foi apenas administrativa, mas inevitável diante das circunstâncias.
“Quando um espaço é destruído duas vezes, não estamos mais falando de um episódio isolado. Existe uma mensagem ali. E o que mais preocupa não é só o ato em si, mas o que ele representa”, diz.
Edna Nunes, a jornalista fundadora da Embaixada Solidária, descreve que o momento mais difícil foi comunicar às famílias atendidas que o sonho de trabalhar e viver no Brasil havia se transformado em um cenário de insegurança. “Foi o momento mais triste. Tivemos que dizer a essas pessoas que aquilo que era esperança virou medo. Que, dessa vez, a gente não conseguiu proteger o espaço. É como reconhecer que, por agora, perdemos para a violência”.
Além disso, instituições no Brasil e no exterior manifestaram solidariedade por meio de notas públicas. No entanto, segundo a organização, o apoio necessário para reverter a situação e garantir a continuidade do projeto não se concretizou.
Até o momento, não há informações públicas sobre a identificação dos responsáveis pelos ataques. Boletins de ocorrência foram registrados, mas, segundo a entidade, não houve retorno sobre o andamento das investigações.
O silêncio, segundo a equipe da Embaixada Solidária, agrava o cenário. Faltou apoio, mas sobrou reconhecimento e pedidos da comunidade para que a entidade seguisse investindo no território. A decisão precisou ser coerente, pois não se descarta o risco de o local ser novamente atacado, mesmo diante da presença dos novos moradores. O sonho de transformar uma antiga casa de prostituição em esperança naufragou. Rondon perdeu e perdeu em um profundo e constrangedor silêncio.
“O que assusta não é apenas a violência. É a ausência de resposta. Porque, quando não há resposta, o medo cresce. E o medo paralisa iniciativas que deveriam ser protegidas”.
Para especialistas em políticas públicas e assistência social, o caso vai além do prejuízo material. A interrupção de projetos voltados à população migrante compromete diretamente a capacidade de integração social e econômica dessas pessoas.
Sem espaços de acolhimento, famílias recém-chegadas tendem a enfrentar condições mais precárias, maior vulnerabilidade e dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Há também um efeito indireto, mas igualmente preocupante: o desestímulo a novas iniciativas.
“Quando um projeto como esse é inviabilizado, outras organizações passam a questionar se é seguro atuar naquele território. E isso cria um efeito em cadeia”, afirma Edna. “No fim, quem perde são as pessoas que deixariam de ser atendidas”.
Apesar do encerramento do Vila Mundo, a Embaixada Solidária segue atuando na cidade de Toledo, onde mantém sua sede e uma rede consolidada de apoio.
Mas o episódio levanta uma questão que ultrapassa os limites do município.
“O Brasil ainda não entendeu a dimensão da migração. Trata como um tema periférico, quando, na verdade, ela está diretamente ligada ao desenvolvimento do país”, afirma Edna. “Estamos falando de pessoas que vêm para trabalhar, contribuir e reconstruir suas vidas. Mas que precisam de condições mínimas para isso”.
Para ela, o caso não deve ser tratado como isolado, mas como um alerta.
“Se a gente não protege quem acolhe, a gente também está dizendo que não sabe acolher. E isso diz muito sobre o tipo de país que queremos ser”.
Enquanto o espaço físico do projeto se desfaz, a discussão que ele provoca ganha força. Neste momento, a equipe da Embaixada Solidária precisa de ajuda para recuperar os danos e devolver o imóvel em condições dignas ao seu proprietário. Mas esta não será a reconstrução mais difícil. O maior desafio será outro: provocar o Brasil a rever, com seriedade e responsabilidade, a forma como acolhe quem chega. Porque, no fim, não se trata apenas de reconstruir paredes — trata-se de reconstruir o compromisso de um país com a dignidade humana.