Uma pesquisa começa com uma pergunta. Muitas vezes, também nasce da observação de um problema presente no cotidiano. Foi a partir dessa perspectiva que estudantes do Colégio e da Academia Donaduzzi passaram a desenvolver projetos científicos que vão além da sala de aula: são pesquisas que buscam compreender desafios reais e contribuir para a criação de soluções para a sociedade.
Com o apoio dos professores e da estrutura dos laboratórios, os estudantes têm a oportunidade de passar por diferentes etapas do processo científico, desde a identificação de um problema e a pesquisa bibliográfica até a formulação, realização de testes, análise de resultados e aprimoramento das propostas.
Entre os projetos está uma pesquisa voltada à criação de curativos naturais para o tratamento da acne, desenvolvida pelos estudantes Bruno Rosin, Isadora Maraskin e Mariama Korema. A ideia surgiu durante um módulo de cosmetologia e, ao longo do desenvolvimento, ganhou novos elementos, como a preocupação com sustentabilidade, acessibilidade e empreendedorismo. O projeto já foi reconhecido em feiras científicas e recebeu recursos que estão sendo utilizados para ampliar a pesquisa.
“A maioria das pessoas não tem a oportunidade de desenvolver um projeto científico no colégio. Esse processo de encontrar um problema e pesquisar a solução é uma oportunidade muito boa, que trará resultados positivos no futuro”, destacou Bruno.
Agora, uma das próximas etapas é avançar para os testes com usuários, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos. A intenção é coletar informações por meio de questionários e avaliar os resultados do curativo, seguindo as etapas necessárias para o desenvolvimento da pesquisa. “O curativo é 100% natural, não tem absolutamente nada químico nele, o que difere totalmente dos produtos que já estão no mercado. Isso influencia, também, no cuidado com o meio ambiente”, explicou Isadora.
Mariama pontuou que o objetivo, desde o início, era criar um produto sustentável e acessível. “Por isso o uso de insumos naturais é tão importante. Além de reduzir custos, não possui nenhuma química prejudicial ao planeta”.
A proposta também passou por mudanças ao longo do processo. Na nova fase, os estudantes estão pesquisando formulações com extrato de centella asiática e própolis verde, buscando desenvolver uma alternativa ainda mais eficaz para o cuidado com a pele.
Ciência conectada aos desafios da região
Outro exemplo parte de uma realidade diretamente relacionada à economia regional: a avicultura. Desde 2023, os estudantes Enzo Liell Pitta e Isadora Depollo Dias pesquisam alternativas naturais para combater o cascudinho, uma espécie de besouro considerada uma praga, que pode causar problemas em aviários e afetar a produção.
“O cascudinho é uma das maiores pragas do Paraná hoje, porque ele danifica as instalações, transmite doenças para o frango, isso acaba afetando a produção da carne de frango da nossa região, que é uma das maiores produções nacionais”, explicou Enzo.
A pesquisa busca desenvolver um inseticida natural utilizando fumo e arruda como princípios ativos. Os estudantes realizam testes com diferentes concentrações das plantas para identificar quais apresentam melhores resultados. “A proposta é encontrar uma alternativa aos inseticidas sintéticos, considerando também possíveis impactos ambientais e à saúde humana”, pontuou Isadora.
O projeto ainda está em fase de testes e, antes de qualquer possibilidade de aplicação, existem outras etapas a serem cumpridas. Entre os próximos passos citados pelos estudantes estão os testes em aviários, a avaliação dos efeitos do produto e os procedimentos relacionados à ética e à proteção da pesquisa.
Quando a iniciação científica começa cedo
Embora os resultados futuros ainda estejam em construção, os projetos já produzem uma transformação concreta: a formação dos próprios estudantes.
Ao vivenciarem a pesquisa ainda no período escolar, eles desenvolvem habilidades relacionadas à investigação, experimentação, registro de resultados e resolução de problemas. Também passam a enxergar possibilidades profissionais que talvez não estivessem no horizonte antes da experiência científica.
Para a professora Jessica Pandini, que orienta os projetos, acompanhar esse processo também representa uma oportunidade de observar a evolução dos alunos. “É maravilhoso ver a evolução deles, seja na parte da escrita, diário de bordo, pesquisas e formulações. Eles já têm um conhecimento técnico de laboratório muito grande, então é bem gratificante ver essas histórias sendo escritas e o desenvolvimento dos alunos ocorrendo”, concluiu.