Lançado no fim de 2020, o Pix representou (e ainda representa) uma verdadeira revolução financeira no Brasil. Hoje responsável por mais de 313 milhões de transações diárias no país , o sistema do Banco Central mudou a forma como os brasileiros movimentam dinheiro e impulsionou mercados. Mas até onde o sistema pode levar o nosso país?
Como era a vida antes do Pix e o que mudou de verdade?
Uma rápida observação no dia a dia do brasileiro permite perceber os principais pontos pelos quais o Pix alterou a vida financeira no país. A começar, claro, pela rápida digitalização bancária no Brasil.
Antes, mover dinheiro de banco para banco custava ou dinheiro ou tempo. O DOC, por exemplo, tinha um custo que variava de instituição para instituição. Além disso, nem ele nem a TED eram instantâneos, tampouco funcionavam nos fins de semana.
Com a chegada das movimentações sem custo, instantâneas e disponíveis 24/7, o que aconteceu foi uma digitalização da economia, especialmente a de baixos valores. Ou seja, ficou muito mais fácil movimentar pequenas quantias, coisas como R$1 ou menos.
Uma consequência da digitalização quase completa das transações financeiras do país foi o crescimento de determinados mercados 100% digitais.
Um deles, por exemplo, é o de lives e produção de conteúdo ao vivo nas redes sociais. Como as plataformas permitem aos usuários fazer doações de baixo valor ou pagar por interações específicas (como mandar uma mensagem ou fazer uma pergunta), o Pix ajudou a popularizar esse nicho. Afinal, com ele, ficou fácil fazer pequenas transações de R$1, R$5 para aproveitar as ferramentas das lives.
Outro excelente exemplo é o mercado de iGaming no Brasil, que se tornou o 5º maior do mundo no ano passado.
Com o Pix, ficou mais fácil jogar em plataformas online, especialmente porque existem jogos acessíveis como o Fortune Rabbit , com aposta a partir de R$ 0,50. Esse game com temática baseada na cultura chinesa faz referência ao Ano do Coelho, um dos símbolos do zodíaco oriental.
Quem também se beneficiou com essa digitalização foram os vendedores ambulantes, especialmente aqueles em praias ou eventos. Não só começaram a vender mais, mas também ficaram mais seguros, pois não correm riscos ao carregar dinheiro físico com eles.
Até onde o Pix pode chegar?
Com tanta mudança já efetuada, a questão que fica é até onde o Pix pode chegar em sua influência. A previsão do economista vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, é de que o Brasil pode ter inventado o “futuro do dinheiro” com o Pix.
Ou seja, o sistema pode ser implementado em escala global e mudar a maneira como todo o mundo lida com dinheiro, o que inclui a integração monetária em vários países.
Com o Pix e o Open Finance, por exemplo, não é um absurdo imaginar um futuro em que uma pessoa pode viajar do Brasil para o Japão com reais na conta, mas pagar uma despesa em ienes, com a conversão acontecendo automaticamente.
Seja como for, a verdade é que o Pix mal começou e nem completou sua primeira década ainda. O sistema tem muito a oferecer e resta ver o impacto que causará com suas próximas atualizações.