O Paraná participa nesta sexta-feira (8), em Assunção, no Paraguai, de uma missão internacional voltada ao fortalecimento da vigilância em saúde nas regiões de fronteira. A agenda reúne representantes dos Ministérios da Saúde do Brasil e do Paraguai, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e secretarias estaduais do Paraná e do Mato Grosso do Sul.
Representam o Paraná o secretário estadual, César Neves, e a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria (Sesa-PR), Maria Goretti David Lopes.
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A reunião integra as ações do projeto “Monitoramento para Vigilância em Saúde na Fronteira Brasil–Paraguai”, iniciativa construída de forma conjunta entre os dois países para ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias e fortalecer o monitoramento epidemiológico nas regiões fronteiriças.
A cooperação técnica entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai vem sendo construída ao longo dos últimos anos e ganhou força com a participação de instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Conass e Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde. Entre os avanços já alcançados estão o mapeamento dos estabelecimentos de saúde nas áreas de fronteira, o fortalecimento das relações institucionais entre os entes envolvidos e a articulação para formalização de uma cooperação bilateral Brasil–Paraguai no âmbito do Mercosul.
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Alfa Agência LocalOutro marco recente foi a realização conjunta da Semana de Vacinação nas Américas e do Dia D de vacinação entre Brasil e Paraguai, promovidos este ano. A integração das estratégias de imunização é essencial especialmente diante do cenário epidemiológico internacional envolvendo o sarampo.
Embora o Brasil esteja livre da circulação endêmica desta doença e o Paraná mantenha elevados índices de vigilância e cobertura vacinal, a circulação de pessoas nas regiões de fronteira exige monitoramento constante para evitar a reintrodução da doença no território nacional.
Segundo o secretário César Neves, a integração entre os países é estratégica para garantir mais segurança sanitária à população. “As fronteiras exigem atenção permanente e ações coordenadas. Essa união fortalece a vigilância em saúde, amplia nossa capacidade de resposta e protege diretamente quem vive e circula nessas regiões”, afirmou.
A proposta prevê a implantação de uma rede integrada de vigilância em saúde, utilizando dados epidemiológicos, georreferenciamento, inteligência digital e tecnologias de informação para detecção precoce, monitoramento e resposta rápida a emergências em saúde pública.
“O encontro no âmbito do Mercosul é muito importante, especialmente para discutirmos a saúde nas regiões de fronteira, que exige uma atuação integrada entre Paraguai e Brasil. Precisamos tomar decisões conjuntas, compartilhar dados em tempo real e tornar mais efetivas as estratégias de controle de doenças e de vacinação”, disse o vice-ministro de Atenção Integral à Saúde e Bem-Estar Social do Paraguai, José Ortellado.
“Essa cooperação permite melhorar o monitoramento e a resposta sanitária na faixa de fronteira. A proposta é manter um comitê permanente entre os dois países, capaz de atuar de forma rápida e coordenada para garantir decisões mais efetivas nesses territórios”, acrescentou.
Entre as ações previstas estão a definição de um calendário de vacinação unificado e a integração dos sistemas de informação dos dois países, capacitação de profissionais de saúde, criação de protocolos conjuntos de comunicação e notificação de doenças, além do fortalecimento da infraestrutura sanitária nos municípios fronteiriços.
Durante a missão também são debatidas estratégias alinhadas ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI), aos acordos do Mercosul e ao Decreto Federal nº 12.038/2024, que reforça as competências da vigilância em saúde em pontos de entrada e fronteiras.
De acordo com Maria Goretti, o projeto consolida uma nova etapa da cooperação internacional em saúde. “Estamos construindo uma rede binacional baseada em confiança, compartilhamento de informações e cooperação técnica. Isso fortalece o monitoramento epidemiológico e torna as respostas em saúde pública mais rápidas e eficientes”, destacou.
A iniciativa também prevê a implantação de sistemas binacionais de alerta precoce, modernização tecnológica dos centros de vigilância e ampliação da cooperação internacional em saúde, criando um modelo que poderá servir de referência para outras regiões de fronteira do Mercosul.