Toledo tem hoje 1.283 medidas protetivas em vigor, decisões judiciais que proíbem o agressor de se aproximar ou de manter contato com a vítima. Somente no primeiro semestre de 2026, foram 356 novas medidas. Os números são da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal (GM), setor responsável por acompanhar essas mulheres no município.
Para o coordenador da Patrulha Maria da Penha, Alessandro Jardel de Paula, o aumento no número de medidas protetivas demonstra que mais mulheres estão reconhecendo as situações de violência doméstica e procurando ajuda. Segundo ele, “as mulheres estão de fato fazendo as denúncias” e percebendo que muitas situações vividas dentro de casa configuram violência.
Das mulheres acompanhadas, 288 contam atualmente com o Botão Maria da Penha, dispositivo que permite acionar a GM em situação de risco, uma ferramenta que, segundo o coordenador, “tem salvado vidas”. Nem todo acionamento termina em prisão: em alguns casos, o agressor foge antes de a equipe chegar. Mesmo assim, o descumprimento é comunicado à Justiça, que toma as providências.
No acionamento mais recente, relatou o coordenador, a equipe fazia o patrulhamento de madrugada no bairro onde a vítima mora e chegou à casa dela em cinco a seis minutos. O homem foi preso em flagrante. Para ele, o sistema “funcionou perfeitamente” e a resposta rápida pode ter evitado um feminicídio. O coordenador também destacou a calma da mulher, que soube usar a ferramenta na hora do perigo.

As medidas protetivas chegam à GM por um sistema integrado com o Judiciário, dentro de um termo de cooperação com o Tribunal de Justiça do Paraná. O setor acompanha medidas baseadas na Lei Maria da Penha, no Estatuto do Idoso e na Lei Henry Borel, que protege crianças e adolescentes. A equipe é formada por cinco integrantes exclusivos, que atuam em revezamento, realizam a triagem de cada caso e fazem a primeira visita à residência da mulher, sempre com uma guarda feminina, para que a vítima se sinta acolhida. “A Patrulha Maria da Penha hoje é uma ponte entre essa mulher que tem medida protetiva e o sistema judiciário”, resumiu o coordenador.
Para quem sofre violência doméstica, a orientação do coordenador é denunciar assim que perceber os primeiros sinais, sem esperar para ver se o agressor muda, e pedir uma medida protetiva. O pedido pode ser feito na Delegacia. Após a denúncia, a mulher tem acompanhamento gratuito, com assessoria jurídica e atendimento psicológico da rede de apoio do município. Para o coordenador, quanto mais cedo a denúncia for feita, maiores são as chances de interromper o ciclo da violência antes que ele evolua para situações mais graves.

Em situação de emergência, os telefones são o 190, da Polícia Militar (PM), e o 153, da GM. A Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180, atende de graça, 24 horas por dia, para orientação e denúncia.