Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, investigou os principais fatores que influenciam a insegurança alimentar nos domicílios da região Nordeste do Brasil. A pesquisa, conduzida pelo pesquisador Laécio de Oliveira Pinheiro, utilizou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE para compreender como variáveis socioeconômicas e estruturais impactam as condições de acesso à alimentação.
De acordo com o pesquisador, o objetivo foi identificar, de forma quantitativa, os determinantes da segurança alimentar em diferentes contextos. “A pesquisa buscou analisar como fatores como renda, escolaridade, condições de moradia e localização geográfica influenciam diretamente as situações de segurança ou insegurança alimentar nos domicílios nordestinos”, explica Laécio.
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Shopping 1,99Para a análise, foi utilizado o modelo econométrico Logit Multinomial, adequado para variáveis categóricas. A variável dependente considerou quatro níveis: segurança alimentar, insegurança leve, moderada e grave. Já entre as variáveis explicativas, destacam-se renda monetária, escolaridade média dos moradores, características da habitação, acesso a serviços básicos, como água e energia elétrica, além de aspectos relacionados à cor ou raça e à propriedade do imóvel.
O estudo foi orientado pelo docente Jefferson Andronio Ramundo Staduto e coorientada por Rosangela Maria Pontilli, e envolveu o cruzamento de dados de moradores e domicílios, totalizando mais de 19 mil observações na região Nordeste. O tratamento estatístico foi realizado com o auxílio do software Stata, permitindo maior precisão na análise dos microdados.
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Os resultados indicam que a insegurança alimentar é mais intensa fora das capitais, especialmente em áreas rurais. “Observamos que os domicílios localizados em regiões rurais apresentam níveis mais elevados de insegurança alimentar em todas as categorias analisadas, o que pode estar relacionado a fatores como a seca e a menor oferta de oportunidades de trabalho”, destaca o pesquisador.
Além da localização geográfica, as condições estruturais das moradias também se mostraram determinantes. Residências com materiais mais precários nas paredes e coberturas apresentam maior incidência de insegurança alimentar. Outro fator relevante identificado foi a renda familiar. “A renda se mostrou um dos elementos mais decisivos. Quanto menor a renda, maior a probabilidade de o domicílio estar em situação de insegurança alimentar”, afirma.
O estudo também evidencia a influência de aspectos sociais, como raça e acesso à propriedade do imóvel, reforçando a relação entre desigualdade social e insegurança alimentar. Domicílios não próprios e com menor acesso a serviços básicos tendem a apresentar maior vulnerabilidade.
Segundo Laécio, a insegurança alimentar deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo. “A fome não se limita à produção de alimentos, mas está relacionada à forma como a economia está estruturada e como os recursos são distribuídos. Trata-se de um problema social, econômico e político”, ressalta.
O trabalho também aponta que, apesar de avanços institucionais e econômicos na região Nordeste, persistem desafios históricos, como as desigualdades regionais, limitações no desenvolvimento econômico e vulnerabilidades climáticas, especialmente no semiárido.