A Secretaria de Agricultura e Proteína Animal realizou, nesta segunda-feira (10), no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico, uma reunião de apresentação do programa Lucro no Leite a produtores de Toledo. A iniciativa prevê consultorias para identificar pontos de melhoria na gestão e na atividade produtiva das propriedades leiteiras.
O secretário de Agricultura e Proteína Animal, Luiz Carlos Bombardelli, explicou que o trabalho será realizado em parceria com o Sebrae e terá como foco a análise individual das propriedades, buscando identificar problemas e oportunidades de melhoria na produção. A previsão é que as consultorias comecem no início de 2027.
“Vamos identificar, dentro de cada propriedade, da porteira para dentro, os pontos falhos ou os pontos de melhoria que as propriedades podem ter. A experiência que tivemos mostrou que todas apresentavam pontos de melhoria, prejuízos que poderiam ser evitados e, ao final do trabalho, todas atingiram lucros bons, corrigindo as deficiências e os problemas”, explicou.
Metodologia
Durante o encontro, o engenheiro agrônomo da Coopermais, Lucas Turquino Gomes, apresentou aos produtores a metodologia que será utilizada nas consultorias. Segundo ele, o acompanhamento será realizado diretamente nas propriedades, considerando diferentes aspectos da atividade e as perspectivas para cada unidade produtiva. “Vamos visitar as propriedades participantes para trabalhar o futuro dessas propriedades, pensando em horizontes de curto, médio e longo prazo, para verificar a rentabilidade e o sucesso das atividades leiteiras e também para termos a sucessão familiar acontecendo aqui no município”, detalhou.
As avaliações incluirão o levantamento dos custos de produção e das receitas obtidas em cada propriedade. A partir desses dados, serão calculados indicadores para auxiliar na tomada de decisões e no planejamento da atividade.
Lucas explicou que o trabalho utilizará aproximadamente 46 indicadores para avaliar a situação das propriedades. Entre eles estão produção por hectare ao ano, margem bruta, margem líquida, capacidade de investimento e liquidez, permitindo acompanhar diferentes aspectos econômicos e produtivos. “Dentro de cada visita, teremos conversas com os produtores, nas quais vamos levantar os custos de produção e as receitas que acontecem dentro da propriedade. Com isso, teremos indicadores que vão mostrar o futuro e o caminho dessas propriedades no dia a dia”, explicou.
Recomeço - Bombardelli também destacou que a experiência anterior motivou a retomada da iniciativa, principalmente diante da redução no número de produtores e no volume produzido no município. Segundo o secretário, em 2017, Toledo tinha cerca de 1,6 mil produtores de leite e produção anual de 101 milhões de litros. Em 2025, os dados apontam para aproximadamente 350 produtores e 62 milhões de litros.
Para o secretário, o cenário exige atenção principalmente em relação à permanência das pequenas propriedades na atividade. Ele avalia que a falta de orientação e de mecanismos de gestão pode dificultar a continuidade da produção. “Isso é um dado que chama atenção e nos preocupa, principalmente a pequena propriedade. Qual será a sobrevida, a condição dessa propriedade que daqui a cinco anos estará produzindo leite? Se continuar sem apoio, sem orientação, sem gestão e sem consultoria, a gente acredita que muitos deixarão a atividade”, alertou.