Toledo será um dos dois polos de um projeto pioneiro de inteligência climática urbana no Paraná. Ao lado de Curitiba, o município participará da iniciativa que pretende estudar de forma detalhada o comportamento do clima dentro das cidades e utilizar essas informações no planejamento urbano, na prevenção de desastres, na saúde pública e na definição de estratégias para um crescimento mais sustentável.
A iniciativa teve um novo momento nesta sexta-feira (14), durante uma agenda realizada em Curitiba, que reuniu representantes dos dois municípios e também do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O projeto terá duração de três anos e será desenvolvido inicialmente em Curitiba, sendo posteriormente estendido para Toledo.
O projeto parte do conceito de cidades inteligentes, mas acrescenta a ele a chamada inteligência climática. A proposta é compreender como diferentes características do espaço urbano, como áreas asfaltadas, praças, gramados, edificações e outros elementos, interferem na temperatura, na umidade, na circulação dos ventos e na formação de microclimas.
Toledo e Curitiba foram escolhidas como polos com características distintas. Enquanto a capital representa um grande centro urbano, Toledo permitirá avaliar como as mesmas ferramentas e conhecimentos podem ser aplicados em uma cidade de menor porte, inclusive sem a necessidade de investimentos tão elevados em uma ampla rede de estações.
Em Curitiba, o projeto prevê mais de 100 pontos de medição espalhados pela cidade, incluindo estações meteorológicas urbanas compactas para monitoramento de temperatura e umidade, sensores de velocidade do vento e equipamentos para avaliação de estresse térmico. Mais de 70 estações também serão utilizadas para acompanhar o comportamento espacial das chuvas.
No caso de Toledo, a intenção é mapear as necessidades do município e produzir informações que possam orientar o seu desenvolvimento nos próximos anos. A expectativa é que os dados permitam identificar diferentes zonas climáticas dentro da área urbana e compreender como cada uma delas responde às condições meteorológicas.
Uma mesma cidade pode apresentar mais de 10 zonas climáticas distintas, dependendo de fatores como concentração de edificações, pavimentação, vegetação e presença de espaços públicos. A identificação dessas diferenças poderá subsidiar intervenções relativamente simples, como substituição de áreas pavimentadas por gramados, adequações na arborização e até mudanças na maneira como determinados espaços urbanos são estruturados.
Experiências semelhantes observadas em Zurique, na Suíça, mostram que medidas aparentemente pequenas podem provocar impactos significativos nos microclimas. Entre as estratégias estudadas estão desde as cores utilizadas nas edificações até a manutenção da vegetação e a altura da grama, além da ampliação de superfícies permeáveis em locais onde predominam concreto e asfalto.
Em Toledo, os resultados poderão auxiliar diretamente diferentes setores da administração municipal. Áreas como Saúde, Defesa Civil, Planejamento e Meio Ambiente estão entre as que poderão utilizar os dados produzidos pelo projeto.
Na saúde pública, por exemplo, será possível buscar correlações entre temperatura, volume de chuva e ocorrência de determinadas doenças. Uma das possibilidades citadas é identificar bairros nos quais condições climáticas possam contribuir para um aumento dos casos de dengue, permitindo que o município antecipe ações e se prepare para uma eventual maior demanda pelos serviços de saúde.
Outro ponto considerado estratégico para Toledo é a prevenção e a resposta a eventos climáticos extremos. O monitoramento poderá fornecer informações para modelos capazes de avaliar o comportamento das chuvas e seus impactos sobre diferentes regiões da cidade.
Os dados também poderão alimentar modelos hidrológicos e hidrodinâmicos utilizados para estimar áreas suscetíveis a alagamentos e inundações. Como uma mesma quantidade de chuva pode produzir consequências diferentes dependendo do ponto onde ocorre, informações com maior resolução espacial ajudam a compreender quais regiões apresentam maior vulnerabilidade.
A expectativa do município é utilizar o projeto também como ferramenta para antecipar situações de risco diante do aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos. O trabalho deverá ocorrer de maneira integrada com a Defesa Civil e outros setores municipais.
Ao integrar a iniciativa ao lado de Curitiba, Toledo servirá ainda como referência para avaliar a aplicação do conceito de inteligência climática em municípios de menor porte. Após a primeira etapa do projeto na capital, a experiência e os conhecimentos obtidos deverão contribuir para a implantação das ações em Toledo.
Ao final dos três anos de trabalho, a proposta é que, além do monitoramento climático, as informações produzidas resultem em ações práticas e em ferramentas de planejamento capazes de orientar o crescimento urbano de forma mais sustentável, reduzir vulnerabilidades e preparar as cidades para os impactos das mudanças climáticas.