Arboviroses: plano de contingência é apresentado em reunião de comitê


Foto: Divulgação
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O plano de ação que vai orientar o enfrentamento às arboviroses em Toledo ao longo de 2026 foi apresentado na tarde desta quinta-feira (22), durante a primeira reunião do ano do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. O encontro ocorreu no Centro Municipal de Controle e Endemias e reuniu representantes do poder público, de instituições de ensino, da sociedade civil organizada e da iniciativa privada.

Na ocasião, os integrantes do comitê tiveram acesso aos principais pontos da edição 2026 do Plano Municipal de Ação para Enfrentamento da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. O documento – vigente desde o dia 1º de janeiro deste ano, após anuência do Conselho Municipal de Saúde e envio à 20ª Regional de Saúde – consolida estratégias de vigilância, prevenção, assistência e educação em saúde voltadas a doenças transmitidas por vírus que utilizam artrópodes (como o mosquito Aedes aegypti) como vetores. “O plano de contingência envolve atenção primária, urgência e emergência, gestão, comunicação e outras secretarias. É um trabalho intersetorial, porque o enfrentamento da dengue não é responsabilidade de um único setor”, destaca o diretor de Vigilância em Saúde, Junior Palma.

Balanço

Além da apresentação do plano, foi compartilhado um panorama epidemiológico em nível estadual, que indica um cenário mais favorável neste início de ano. De acordo com os dados apresentados, os casos prováveis e confirmados de arboviroses estão abaixo da média histórica registrada nas semanas 1 e 2, sobretudo se comparados com os anos de 2024 e 2025.

Durante a reunião, também foram detalhados os números preliminares do ano epidemiológico de 2025. No intervalo entre 29 de dezembro de 2024 e 3 de janeiro de 2026, o município contabilizou 1.182 casos confirmados de dengue. No mesmo período, 6.588 exames deram negativos ou inconclusivos e 310 permaneciam pendentes de resultado, totalizando 8.080 notificações. Duas mortes causadas pela doença foram confirmadas.

Em relação à febre chikungunya, foram registrados 17 casos positivos a partir de 53 notificações. Desse total, 30 foram descartadas e seis ainda estavam em análise ao final do período considerado.

Avanços

O comitê também analisou as ações educativas desenvolvidas no fim do ano passado. Entre novembro e dezembro, foram realizadas 11 atividades de orientação e prevenção em escolas, empresas, órgãos públicos, órgãos de imprensa e eventos, com foco na eliminação de criadouros do mosquito e na conscientização da população. Entre elas, a campanha “Casa aberta, vida protegida”, elaborada pela Secretaria de Comunicação com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de receber bem os agentes de combate a endemias (ACE).

Em 2025, eles fizeram 5.465 vistorias em pontos estratégicos e 188.195 visitas a imóveis. Destes, 134.511 estavam fechados, isto é, sem ninguém em casa para receber os agentes. Eles aplicaram 2.114 notificações e 213 multas.

Também foi apresentado o detalhamento das ações que resultaram na evolução estratégica do Setor de Controle e Combate a Endemias em 2025. Entre elas, a implementação da metodologia de ovitrampas; consolidação do aplicativo “Endemias na Cidade, que facilita o trabalho dos ACE; a capacitação de aproximadamente 60% dos agentes no curso “Mais Saúde com Agente”, oferecido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); curso para trabalhos em altura, seguindo os preceitos da Norma Regulamentadora nº 35 (NR 35); foco na eficácia dos bloqueios a partir de dados enviados pelo mapa de calor das ovitrampas ou via Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que passou a ser descentralizado; e redução nos índices de infestação se comparados aos registrados nos anos de 2023 e 2024.

Na frente de imunização, os dados mostram que a cobertura vacinal contra a dengue entre adolescentes de 10 a 14 anos ainda está baixa. Entre maio de 2024 e janeiro de 2026, foram aplicadas 8.623 doses do imunizante, sendo 5.487 primeiras doses (58,68% da meta de 9.350 unidades) e 3.136 segundas doses (33,54%).

Ovitrampas

Outro ponto de destaque foi o uso de ovitrampas, tecnologia implantada no município desde a primeira quinzena de agosto. Os dispositivos atraem fêmeas do Aedes aegypti para a deposição de ovos em lâminas de eucatex, permitindo o monitoramento mais preciso da circulação do mosquito.

Atualmente, 374 ovitrampas estão instaladas em diferentes regiões da cidade e do interior. As coletas periódicas alimentam a plataforma federal Conta Ovos, que gera mapas de calor indicando áreas com maior concentração do vetor.

O coordenador do Setor de Controle e Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes, esclareceu que, com as ovitrampas, os ACE não trabalham mais por zonas fixas. “Agora, todos atuam em sistema de mutirão e são redirecionados diariamente conforme a necessidade, o que pode alterar a periodicidade das vistorias que os agentes fazem em determinado imóvel”, explica. “Se o agente está voltando com frequência à mesma região, isso é bom sinal. Significa que existe um risco identificado e que o poder público está presente”, salienta.

As informações auxiliam na tomada de decisões e no direcionamento das ações de campo. A tecnologia, incorporada às recomendações do Ministério da Saúde, oferece maior precisão em comparação ao Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa). “Antes, a gente trabalhava praticamente no escuro. Hoje, com as ovitrampas, conseguimos identificar exatamente onde o mosquito está circulando. Isso evita desperdício de recursos públicos e permite direcionar as equipes para os pontos realmente críticos”, avalia Junior.

Em breve, os resultados mais relevantes dos mapas de calor serão divulgados semanalmente por meio de um boletim que ainda está sendo formatado. “Apesar de esta ser uma técnica usada há alguns anos, foi do ano passado para cá que ela realmente se difundiu no Paraná e a Sesa [Secretaria de Estado da Saúde] está promovendo treinamento para que todos os municípios usem as ovitrampas. São um mecanismo importante de prevenção, que precisa ser usado em consonância com os planos de contigência”, pontua o enfermeiro da Vigilância Epidemiológica da 20ª Regional, Fábio Molina.

Ao final da reunião, ficou definida a data do próximo encontro do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus: 12 de março de 2026 (quinta-feira), às 14h, novamente no Centro Municipal de Controle e Endemias.

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