Pedro respondeu: “Tu és o Cristo de Deus”

No Evangelho deste domingo (22), São Lucas apresenta Jesus em oração (cf. Lc 09, 18-24). Em momentos difíceis, Jesus reza para se manter em perfeita harmonia com a vontade do Pai. Em seguida, Ele conversa com os seus discípulos sobre sua origem: “Quem diz o povo que eu sou?”. “E vós, quem dizeis que eu sou?”.
O texto revela a tensão que há entre a ideia (a esperança) dos homens e a força de Deus, que se revela em Jesus Cristo. Os homens se orientam por uma visão vitoriosa do Messias, interpretando-o como alguém que sempre vence nas batalhas da vida e elimina os inimigos. Deus, ao contrário, manifesta a sua presença através da fidelidade humana de Jesus. É somente através desta fidelidade, ao aceitar o sofrimento e a morte, que tem sentido a plenitude da esperança (a ressurreição). Neste contexto Jesus anuncia a sua morte e ressurreição: vai sofrer muito, será rechaçado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, morrerá e ressurgirá no terceiro dia. Sua vida será marcada por um destino trágico, mas glorioso.
Os líderes o rejeitarão porque Ele proclama verdades incômodas em defesa de Deus e dos oprimidos. Mas, ciente de que um “profeta desarmado”, acaba inevitavelmente sendo eliminado, Ele decide continuar a sua missão sem hesitação ou medo. Está pronto para enfrentar esse passo extremo com absoluta liberdade (“ninguém tira minha vida: eu mesmo a dou”), mas também com um senso misterioso de inevitabilidade (é necessário). Trata-se do plano divino de salvação que Ele veio realizar. O Pai o envia ao mundo para que Ele seja plenamente humano como os seus irmãos e para inserir o amor divino nos eventos humanos e em sua rígida sequência.
Jesus não recua: enfrenta corajosamente o seu fim, pronto para tudo, animado por um amor capaz de superar os horrores da traição, da crueldade e da morte. Assim, embora aparentemente derrotado, Ele triunfará sobre o mal: o seu espírito dominará os acontecimentos e produzirá, no centro deles, um ato tão grandioso que apagará, de uma vez por todas, todo o ódio e a indiferença que separavam os homens de Deus e os colocaram em conflito por milênios. Jesus alerta os seus apóstolos que o destino deles será igual ao seu. Eles também deverão saber perder, dia após dia, a sua vida terrena, entendendo que cada perda nos valores superficiais corresponderá a um ganho nos valores mais profundos e verdadeiros.
Para eles, como para nós, nada do que realmente importa será perdido, mesmo que precise se tornar mais essencial e austero. A cruz não destrói nossa humanidade; pelo contrário, nos prepara para transformá-la completamente na ressurreição, com uma obra constante de salvação que já opera eficazmente desde agora.
Jesus assume em si mesmo o Messias da esperança e o Filho do homem que indica que Deus está no meio de nós para tomar sobre si o sofrimento da humanidade, transfigurando-a a partir de dentro.
Sim, aceitar Jesus não é apenas reconhecê-lo como Messias, mas comprometer-se a segui-lo com fidelidade, mesmo diante do sofrimento e até a morte. A sua vida foi um exemplo de amor e entrega total, e Ele nos convida a trilhar esse caminho com coragem e fé.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo. Novos conteúdos são publicados semanalmente.
















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