As novas regras para o funcionamento da Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, entram em vigor no próximo dia 3 de agosto e representam mais um passo na implantação gradual da segunda ligação entre Brasil e Paraguai. Apesar da ampliação do número de veículos autorizados a utilizar a estrutura, empresários e lideranças da fronteira avaliam que as medidas ainda estão muito aquém do que a população e o setor produtivo esperam desde a inauguração da obra.
O novo cronograma foi definido pela Comissão Mista Brasil/Paraguai e prevê que caminhões leves vazios utilizem a Ponte da Integração das 7h às 19h, enquanto os caminhões descarregados poderão continuar cruzando a fronteira no período noturno, entre 20h30 e 5h. Também passam a utilizar a nova travessia, durante o dia, os ônibus do transporte urbano internacional entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, mediante apresentação do Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço.
Já os ônibus de turismo fretados que não tenham como destino final Foz do Iguaçu ou Ciudad del Este, além das linhas internacionais regulares, deverão utilizar exclusivamente a Ponte da Integração, com circulação liberada 24 horas por dia.
Apesar dos avanços, os caminhões carregados continuarão utilizando a Ponte da Amizade, principal gargalo logístico da fronteira. A restrição permanece porque, do lado paraguaio, a ponte sobre o rio Monday e parte da infraestrutura complementar ainda não foram concluídas, impedindo a operação plena da nova ligação internacional.
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Empresários defendem abertura maior
Para o presidente da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este, Said Mohamed Taigen, as medidas representam um avanço, mas deixam de atacar o principal problema enfrentado diariamente pela região.
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Casa Maringá Importados“Entendemos que ainda não temos a solução que esperamos há muito tempo para a liberação total da Ponte da Integração. Sabemos que a infraestrutura ainda não está concluída. Porém, enquanto isso, defendemos que a ponte seja aberta durante todo o dia para veículos leves, caminhões vazios e outros veículos permitidos. Não entendemos por que isso ainda não pode ser feito”, afirmou.
Segundo ele, a entidade também defende uma mudança operacional que permitiria reduzir significativamente os congestionamentos na Ponte da Amizade.
“A nossa proposta é que os caminhões pesados e carregados utilizem a Ponte da Amizade apenas durante a noite. Assim, durante o dia, haveria mais espaço para passageiros e turistas circularem entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.” Taigen afirma que essa proposta já foi apresentada diversas vezes às autoridades brasileiras e paraguaias, mas nunca saiu do papel.
“Prejuízo para os dois países”
O dirigente também criticou a demora das autoridades em encontrar uma solução conjunta para a logística da fronteira. Segundo ele, empresários dos dois lados já perderam a paciência com a lentidão das negociações.
“Precisamos encontrar uma solução que beneficie as duas cidades e impeça que a Ponte da Amizade continue funcionando como um enorme estacionamento de caminhões durante o dia. Isso é um prejuízo para todos.”
Ele revelou que tem recebido pressão crescente do setor empresarial para adotar uma postura mais firme nas negociações. “Antes desta entrevista, recebi diversas ligações de empresários pedindo que a Câmara de Comércio adote uma posição mais firme. Há muito tempo fazemos esses pedidos de maneira respeitosa e parece que isso não tem surtido efeito.”
Segundo Taigen, a principal dificuldade é a falta de entendimento entre os órgãos responsáveis pela operação da fronteira. “Conversamos diversas vezes com representantes do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, com a Receita Federal de Foz do Iguaçu e com a Aduana paraguaia. Infelizmente, cada órgão transfere a responsabilidade para o outro. Todos dizem que não há problema, desde que a outra parte concorde.”
Contexto político amplia pressão
As novas regras também são anunciadas em um momento de maior tensão diplomática entre os dois países. Durante a última Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Luque, o presidente paraguaio, Santiago Peña, fez críticas ao funcionamento do bloco e à condução das relações regionais.
Ao comentar a demora para colocar a Ponte da Integração em pleno funcionamento, Peña chegou a afirmar que abrir completamente a nova ligação entre Brasil e Paraguai tem sido mais difícil do que resolver questões relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das regiões de maior tensão geopolítica do planeta.
O presidente paraguaio também defendeu que o verdadeiro sucesso da integração regional será alcançado apenas quando os moradores da fronteira deixarem de enfrentar horas de espera para cruzar entre os dois países e quando os procedimentos aduaneiros e migratórios forem simplificados.
Peña não comentou, no entanto, que alguns dos fatores que continuam limitando a abertura plena da Ponte da Integração é o andamento das obras de infraestrutura no lado paraguaio. O principal gargalo é a ponte sobre o Rio Monday, considerada essencial para retirar o tráfego pesado das áreas urbanas de Presidente Franco e que ainda apresenta menos de 40% de execução.
Já os trechos do Corredor Metropolitano do Leste, responsável por conectar a nova ponte à malha rodoviária paraguaia, estão próximos da conclusão, com pouco mais de 90% das obras de pavimentação executadas, mas ainda dependem de intervenções complementares para que o sistema possa operar em sua capacidade total.
Enquanto isso não acontece, a expectativa do comércio, do turismo e do setor logístico permanece a mesma desde a inauguração da Ponte da Integração: transformar uma obra construída para desafogar a Ponte da Amizade em uma ligação internacional plenamente funcional. Com as novas regras, parte desse objetivo começa a avançar, mas, para empresários da fronteira, a abertura integral da estrutura ainda parece distante.