Em 2050, Toledo terá pouco mais de duas pessoas idosas para cada criança ou adolescente. A projeção está no novo Plano Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, que prevê que a população de 60 anos ou mais vai mais que dobrar até lá, de 22.215 para 58.675 moradores, e trata o envelhecimento como um desafio que vai da assistência social às contas públicas.
Aprovado em 10 de junho pelo Decreto de Nº 1.901 e assinado pelo prefeito Mario Costenaro (Republicanos), o documento mostra que o tema é, ao mesmo tempo, uma agenda de cuidado e uma questão econômica. Toledo tem fôlego para a transição: o PIB per capita foi de R$ 63.192,47 em 2023, o IDHM (0,768) é alto e, em 2024, o município esteve entre os 10 maiores arrecadadores do estado, com cerca de R$ 1,1 bilhão. O plano sugere, porém, que essa transição exige planejamento.
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A rede de proteção já é grande. Em outubro de 2025, 1.143 idosos recebiam o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a quem tem 65 anos ou mais e renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo, sem exigência de contribuição prévia (Lei Federal de Nº 8.742/1993). Outros 6.633 idosos, quase 30,00% do total, estavam no Cadastro Único (CadÚnico), 1.168 deles beneficiários de programas como o Bolsa Família.
A crescente pressão sobre os sistemas previdenciário, de saúde e assistência social está diretamente relacionada à inversão da pirâmide etária. Entre 2000 e 2022, a participação de crianças e adolescentes na população caiu de 38,18% para 25,38%, enquanto a parcela de idosos praticamente dobrou, passando de 7,77% para 14,76%. De acordo com projeções do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o índice de envelhecimento, que mede a quantidade de idosos para cada 100 crianças e adolescentes de até 15 anos, deve saltar de aproximadamente 81 em 2025 para 203 em 2050. Na prática, isso significa que haverá cada vez menos pessoas em idade economicamente ativa para sustentar uma população dependente cada vez maior, ampliando os desafios para as políticas públicas e para a economia.
Na prática, isso aperta as contas públicas por dois lados ao mesmo tempo. Com menos gente em idade de trabalhar, entra menos imposto e menos contribuição para a Previdência. E, com mais idosos, cresce o gasto: mais aposentadorias e benefícios como o BPC, além de maior demanda por saúde, transporte e cuidado. Ou seja, o Município precisa gastar mais com quem depende do sistema justo quando arrecada de uma base que cresce mais devagar.
O quadro tem ainda uma camada nacional. Um estudo da empresa Nexus mostra que o número de brasileiros com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu 53,00% em 10 anos, mais rápido até que o envelhecimento da população. Mas o avanço vem com precarização: mais da metade desses idosos trabalha na informalidade, contra 38,00% da população em geral. Ou seja, muitos seguem produzindo, porém sem carteira e sem contribuir para a Previdência, o que mantém a pressão sobre as contas mesmo entre os que continuam ativos. O levantamento tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Adega do LagoO que o plano prevê
Para os próximos quatro anos, o plano combina serviços e investimento. Prevê a construção de um terceiro Centro de Referência da Terceira Idade (Certi), no Jardim Panorama, até 2029; a adaptação de no mínimo 40 moradias de idosos em situação de vulnerabilidade; e a reserva de ao menos 03,00% das unidades habitacionais municipais para esse público. O financiamento vem do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), do Fundo Municipal dos Direitos do Idoso (FMDI), de repasses estaduais via Fundo Estadual dos Direitos do Idoso do Paraná (Fipar-PR) e de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), e o Fundo Municipal dos Direitos do Idoso (FMDI) ainda pode ser reforçado pela destinação de Imposto de Renda, até 03,00% para pessoas físicas e 01,00% para jurídicas, sem custo extra ao contribuinte.
A proporção de idosos em Toledo deve passar de 15,90% em 2025 para 28,20% em 2050. Os números, porém, mostram que o envelhecimento vai além da pauta de cuidado: é também uma questão de renda, de base produtiva e de contas públicas. O texto integral está na edição de Nº 4.780 do Órgão Oficial do Município, em https://www.toledo.pr.gov.br/sites/default/files/orgaooficial-2026-06/edicao_4780_11_de_junho_de_2026_assinado.pdf.
O movimento acompanha uma tendência mundial. Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a fatia da população global com 60 anos ou mais deve quase dobrar entre 2015 e 2050, de 12,00% para 22,00%, chegando a cerca de 2,10 bilhões de pessoas. O envelhecimento começou nos países mais ricos, como o Japão, onde cerca de 30,00% da população já tem mais de 60 anos, mas hoje são os países de renda baixa e média que registram a mudança mais rápida, em 2050, dois terços da população mundial com mais de 60 anos viverão neles.
Com informações do Plano Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de Toledo, IBGE, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Brasil (EBC).