Na manhã deste sábado, dia 31 de janeiro, o Parque do Povo Luiz Cláudio Hoffmann, no Jardim Planalto, em Toledo, foi palco de um evento marcado por comoção, solidariedade e mobilização social. A homenagem ao cão comunitário Abacate, brutalmente morto no início da semana, reuniu moradores, cuidadores, ativistas da causa animal e autoridades públicas em um apelo coletivo por justiça e políticas mais eficazes de proteção aos animais.

Participaram do ato moradores da região do Jardim Tocantins, onde Abacate costumava circular, além de voluntários que cuidaram do animal nos últimos meses. Também estiveram presentes representantes de entidades protetoras, tutores de cães e gatos, simpatizantes da causa animal e autoridades locais, como o vereador Roberto de Souza (PT), o presidente da Câmara Gabriel Baierle (União Brasil), a secretária de Meio Ambiente Luciana Alves Fogaça e a coordenadora de Defesa e Proteção Animal do Município, Cintia Moura. O ex-vereador Leoclides Bisognin (MDB) também marcou presença.

Com caráter pacífico e simbólico, a mobilização incluiu discursos de moradores, um minuto de silêncio e a exibição de fotos e cartazes em memória do cão. A atividade também teve um viés solidário: arrecadação de ração para abrigos e cuidadores independentes de Toledo. Os participantes aproveitaram o momento para exigir punições mais rigorosas para casos de maus-tratos e abandono, além do fortalecimento de políticas públicas permanentes voltadas à causa animal.

Segundo Leandro Volanick, um dos organizadores do protesto, a ação buscou mais do que apenas prestar tributo ao cão. “Queremos mandar uma mensagem clara à sociedade: a crueldade contra os animais não pode ser tolerada nem tratada como algo comum. É preciso endurecer as leis e ampliar o apoio a quem cuida”, afirmou. Entre as principais reivindicações estão a criação de normas municipais mais rígidas, com punições rápidas e exemplares, aumento de recursos públicos para abrigos e cuidadores, além de ações preventivas, como campanhas de conscientização e maior fiscalização.

A história de Abacate foi relembrada por quem o acolheu. Moradora do Jardim Tocantins, Mirian Bittencourt relatou que o cão apareceu ainda filhote na rua em outubro do ano passado. “Ele era carinhoso, brincalhão, estava sempre com a gente. No dia que o encontrei ferido, ele não respondeu ao chamado. Quando cheguei perto, ele estava ensanguentado. Foi uma brutalidade. Isso não pode ficar impune”, desabafou. Mirian também revelou que o animal estava prestes a ser castrado e adotado definitivamente por um morador do bairro.
Outra vizinha, Raquel Cassol da Silva, emocionou-se ao descrever o convívio familiar com o cão, que dormia em sua casa e brincava com suas crianças. “Ele adotou a gente. Todo mundo na rua cuidava dele, cada casa tinha um potinho de água. Quando o encontramos ferido, percebemos que ele havia sido baleado. Mesmo machucado, ele andou até a frente da nossa casa, onde gostava de ficar. Ele escolheu aquele lugar para morrer”, afirmou, emocionada.

A mobilização representou, para muitos, um divisor de águas no debate sobre os direitos dos animais em Toledo. Com cartazes pedindo justiça e frases como “Crueldade é crime”, os participantes reforçaram que a morte de Abacate não será esquecida e deverá impulsionar avanços nas políticas públicas municipais.
Ao final do ato, os organizadores reforçaram o apelo para que a sociedade permaneça engajada e vigilante. Uma campanha de arrecadação foi divulgada para custear os atendimentos veterinários prestados ao cão, que apesar dos esforços, não resistiu aos ferimentos. Para arcar com os últimos cuidados recebidos pelo animal, os moradores ainda precisam de pouco mais de R$ 800,00. Para quem quiser ajudar, mais informações podem ser obtidas pelo telefone e WhatsApp (45) 9-9918-0440 (Mirian Bittencourt).
A comoção coletiva revelou não apenas o afeto que o animal despertava, mas também a urgência de mudanças concretas na proteção à vida animal.