Se a chegada de Carlo Ancelotti foi o último ato da gestão Ednaldo Rodrigues, a CBF de Samir Xaud vai anunciar nos próximos dias a renovação contratual com o treinador da seleção até 2030, em uma mostra de olhar a médio/longo prazo na entidade.
A calmaria política na CBF abre terreno para essas e outras definições. As brigas judiciais e intrigas internas deram um tempo. E a gestão atual entende que não pode repetir o antecessor: Ednaldo usou três técnicos (entre interinos e definitivos) e trouxe Ancelotti faltando um ano para a Copa.
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Os planos para o comando da seleção no próximo ciclo já foram desenhados bem antes da marca desta terça-feira (12) - 30 dias para a Copa do Mundo 2026. O entendimento é que Ancelotti está feliz, tem bom entendimento com jogadores e a gestão da CBF. E um ano só é muito pouco para o trabalho que ele pode fazer por aqui.
Dar um ciclo a mais para Ancelotti faz parte de um pacote de ações que se juntam, por exemplo, a ajustes de calendário, fair play financeiro e profissionalização da arbitragem.
Com o novo contrato, o italiano terá um vínculo que vai extrapolar até mesmo o mandato atual de Samir Xaud. O italiano, inclusive, foi apresentado um dia depois da eleição que confirmou Samir como substituto de Ednaldo.
Na parte política, a visão de quem transita nos bastidores da CBF é de que a engrenagem está funcionando.
O grupo político que assumiu o poder tem conseguido dividir atribuições e projetos. O próprio Samir, como figura que colocaria o rosto e a reputação para "jogo" ao assumir a presidência, está cumprindo o combinado.
Fernando Sarney, que chegou a ser interventor quando Ednaldo foi destituído pela Justiça, é o vice-presidente mais afastado do cotidiano da CBF. Mas tem mantido boas relações com o grupo político no poder.
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Mãos Amigas - Cuidadores de idosos"Essa calmaria política na CBF é fruto de um entendimento institucional importante de que o futebol brasileiro precisa de estabilidade. A entidade passou por momentos turbulentos recentemente, e nesta terça-feira (12) existe uma consciência maior de que o foco precisa estar no fortalecimento do futebol e no planejamento de longo prazo. Isso conversa diretamente com a ideia de ter um treinador assegurado até 2030. A seleção precisa voltar a ter um ciclo sólido, com tempo para desenvolver identidade, integrar talentos e criar consistência competitiva", opinou Ednailson Rozenha, presidente da Federação do Amazonas e um dos vices da CBF.
A presença de Gustavo Feijó como diretor de seleções também faz parte das articulações políticas. Mas o dirigente alagoano tem adotado postura discreta, permitindo uma autonomia para as decisões técnicas de Rodrigo Caetano, o coordenador de seleções, e, claro, do que Ancelotti quer para a seleção.
Além do cenário da seleção, os grupos de trabalhos sobre os temas discutidos na CBF, além das cadeiras de vice-presidentes, dão um retrato sobre essa distribuição de poder.
O GT do fair play foi para Ricardo Gluck Paul, presidente da Federação Paraense e um dos vices da CBF. Na arbitragem, Netto Góes, filho do ex-VP Roberto Góes, da Federação do Amapá, conduziu o grupo de trabalho e já até foi incorporado como diretor da pasta na CBF.
Felipe Diego Barbosa, filho do VP José Vanildo, comandante do futebol no Rio Grande do Norte, comanda o grupo que trata do futebol de base.
Gustavo Dias Henrique é o VP responsável pela articulação política, em geral. Nos bastidores, também há sinais da forte influência de Francisco Mendes, filho de Gilmar Mendes, um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento político em curso na CBF envolve a formação de uma liga única para o Brasileirão.
Em termos financeiros, a CBF aumentou o volume de gastos administrativos e investimento na seleção. Renovar com Ancelotti também reforça essa linha de raciocínio, custeando um treinador que ganha R$ 5 milhões por mês.