O avanço da febre chikungunya em Toledo pautou a quarta reunião bimestral de 2026 do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, realizada na tarde desta quinta-feira (23), no Centro Municipal de Controle e Endemias. Representantes do poder público, de instituições de ensino, da sociedade civil organizada e da iniciativa privada analisaram o cenário epidemiológico das principais arboviroses — doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, principalmente mosquitos e carrapatos — e discutiram estratégias para prevenção, monitoramento e tratamento.
O encontro contou com a presença da secretária municipal da Saúde, Adriane Monteiro Santana, e teve a apresentação técnica conduzida pelo coordenador do Setor de Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes. Assim como ocorreu na reunião anterior, em maio, os dados relacionados à chikungunya concentraram a maior preocupação dos integrantes do comitê.
Entre 4 de janeiro e a última sexta-feira (17), data de divulgação do boletim epidemiológico mais recente, Toledo confirmou 24 casos da doença, número que já representa um recorde histórico para o município – superando 2025, quando 18 casos foram registrados. Outros três pacientes ainda aguardam o resultado de exames laboratoriais e, somando-se ainda 12 exames com resultado negativo ou inconclusivo, o município contabiliza 39 notificações da doença. Entre os 18 municípios da 20ª Regional de Saúde, Toledo apresenta o segundo maior número de confirmações, atrás apenas de Entre Rios do Oeste, com 55 casos.
A secretária municipal da Saúde, Adriane Monteiro Santana, ressalta que as reuniões periódicas permitem acompanhar a evolução dos indicadores e definir respostas rápidas diante de novos casos. "O comitê é muito importante porque acompanha os números e reúne diferentes setores para discutir as ações necessárias. No caso da chikungunya, trabalhamos com uma programação que permite intervenções muito mais imediatas quando são identificados focos ou locais com transmissão, tornando as ações mais eficientes", enfatiza.
Dengue – Enquanto a chikungunya preocupa, a dengue apresenta comportamento oposto em Toledo. Em consonância com os dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o município acompanha a tendência estadual de queda da doença.
Desde o início do ano foram confirmados 44 casos, volume 96,25% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando havia 1.174 confirmações. Considerando ainda 46 pacientes que aguardam exames e outros 2.217 casos descartados por resultados negativos ou inconclusivos, o município soma 2.307 notificações de dengue em 2026.
Ao explicar esse cenário, o coordenador do Setor de Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes, observa que a redução dos casos de dengue está relacionada principalmente ao perfil epidemiológico da doença na região. "Depois das epidemias dos últimos anos, grande parte da população adquiriu imunidade aos sorotipos que estão circulando atualmente, principalmente os tipos 2 e 3. Isso ajuda a reduzir os casos de dengue, mas não protege contra outros sorotipos nem contra a chikungunya, que está presente em nossa região e pode encontrar pessoas suscetíveis", esclarece.
Durante a reunião, o enfermeiro da Vigilância Epidemiológica da 20ª Regional de Saúde, Fábio Molina, apresentou a Nota Informativa nº 10/2026, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde. O documento alerta para a possibilidade de aumento das arboviroses em razão dos impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño, além de destacar o comportamento cíclico da dengue, que alterna períodos de baixa circulação com anos de epidemia. Ele também reforçou a necessidade de atualização permanente dos Planos Municipais de Contingência para Enfrentamento das Arboviroses, preservando estratégias eficazes e revisando aquelas que apresentaram menor efetividade.
Ovitrampas
Os participantes também acompanharam a apresentação do mapa de calor da circulação do mosquito Aedes aegypti no perímetro urbano e nos distritos de Toledo. Em razão das baixas temperaturas, foi registrada redução significativa da presença do vetor nas últimas semanas. O monitoramento, que é realizado por meio de ovitrampas (armadilhas compostas por lâminas de eucatex instaladas em pontos estratégicos para coleta de ovos depositados pelas fêmeas do mosquito), baseia-se em uma técnica capaz de identificar com maior precisão as áreas de maior circulação do inseto e direcionar as ações de controle.
Segundo Antônio, a adoção das ovitrampas e de novas ferramentas tecnológicas alterou significativamente a rotina das equipes de campo. "Desde o início de 2025, os agentes deixaram de registrar as visitas em formulários de papel e passaram a utilizar um aplicativo em smartphones, o que acelera muito a tomada de decisão. Depois vieram as ovitrampas, que geram mapas de calor indicando onde existe maior risco de transmissão. Com isso, conseguimos concentrar os esforços exatamente nas áreas prioritárias, em vez de distribuir o trabalho de forma uniforme por toda a cidade e pelas comunidades do interior", detalha.
O coordenador acrescenta que essa mudança também explica por que alguns bairros recebem visitas mais frequentes das equipes de endemias. "Hoje os agentes permanecem mais tempo nas regiões onde existem casos confirmados ou maior circulação do mosquito. Nas áreas consideradas de baixo risco, a frequência diminui. É uma estratégia prevista nas novas diretrizes do Ministério da Saúde e garante muito mais precisão nas ações de combate", pontua.
Infestação
Na etapa final do encontro, foram apresentados os resultados do Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 19 e 21 de maio. O índice de infestação predial foi de 4,3%, percentual considerado elevado pelo Ministério da Saúde, que estabelece como parâmetro satisfatório índice inferior a 1%. “A partir desses mapas de calor, do LIRAa e também da estratificação de risco, que, por exigência do Ministério da Saúde, começará a ser realizada em breve, poderemos concentrar esforços nas áreas com maior probabilidade de ocorrência de surtos de dengue e outras arboviroses”, pontua.
Prevenção
Outro tema debatido foi a cobertura vacinal contra a dengue entre adolescentes de 10 a 14 anos, considerada abaixo da meta. Entre 2 de maio de 2024 e 14 de maio de 2026, Toledo aplicou 10.374 doses do imunizante. Deste total, 6.534 correspondem à primeira dose, o equivalente a 69,88% da meta de 9.350 aplicações, enquanto 4.200 referem-se à segunda dose, alcançando 44,99% do público-alvo previsto.
Ao abordar a importância da participação da comunidade, a secretária de Saúde assinala que o combate ao mosquito continua dependendo, sobretudo, dos cuidados adotados pela população. "Os principais criadouros continuam sendo vasos de plantas, baldes, pneus e outros recipientes que acumulam água. A população já conhece esses cuidados, mas não pode relaxar porque os números diminuíram. É justamente agora que precisamos manter as ações de prevenção para evitar novos aumentos da doença", reforça Adriane.
Ao término da reunião, os integrantes do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus definiram a data e o local do próximo encontro. Será no dia 24 de setembro de 2026 (quinta-feira), às 14h, no Centro Municipal de Controle e Endemias.