As três leituras da liturgia do 4º Domingo do Tempo comum apresentam o mesmo tema recorrente nos primeiros domingo do Tempo Comum: a comunidade fiel como comunidade dos pobres e dos humildes, cuja identidade não é definida tem em vista a um sistema eficiente de relações e sucesso. A comunidade se apoia sobre o Reino e sua justiça.
Mateus, no seu evangelho (Mt 5, 1-12a), através das bem-aventuranças apresenta Jesus e seu projeto de vida. Trata-se do primeiro grande discurso de Jesus, o discurso da montanha. Seu desejo é despertar nos ouvintes a fé e o seguimento de Jesus que veio para revelar o amor de Deus por toda a humanidade.
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Super Dicas ToledoNo início do evangelho, Mateus nos diz quem é Jesus, depois apresenta a sua missão. Hoje ele, através das bem-aventuranças, nos dá a conhecer como Jesus irá realizar a sua missão: com palavras e com gestos, Jesus propõe aos discípulos e às multidões o ???Reino???. Para isso ele apresenta o conteúdo de sua mensagem, o Reino dos céus, que provocará reações porque ela subverte a lógica existente.
A mensagem de Jesus não pode ser transformada em um discurso inocente. Ao exaltar os pobres, os humildes, os misericordiosos, os perseguidos, Jesus coloca no centro o que Deus vai realizar através dele. ?? um conteúdo que provoca questionamentos porque inverte a ordem existente. Os protagonistas do Reino não são os que têm dinheiro, conhecimento e fama, mas aqueles que, aos olhos de todos, são perdedores e falidos.
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Desta forma, Jesus declara o paradoxo de Deus e seu Reino: os fracos, os pobres de Deus ???porque deles é o Reino dos Céus???. Somente poderão aceitar que Deus participe de sua vida aqueles que não são autossuficientes, que não possuem a segurança do poder do dinheiro para lhes garantir tudo.
Para essas pessoas não há lugar para Deus, não há lugar para o próximo. Por isso, Mateus não supervaloriza esta ou aquela condição humana. O que importa não é a condição social ou econômica em que a pessoa se encontra. O que realmente importa é Deus e sua justiça. Os critérios humanos são abandonados e invertidos.
Deus mesmo vai se empenhar para mudar o modo como o mundo está estruturado.
Os pobres de Deus são pessoas reais, que vivem em situação de carência extrema, são marginalizados, sofrem e choram. Mesmo assim são os primeiros convidados a se empenhar na construção da paz. Estes são os construtores do mundo novo, as testemunhas do Reino. Porque o Reino dos céus, segundo as bem-aventuranças, corresponde ao pão que partilhamos, à mão que estendemos ao inimigo, ao ato de violência que impedimos, ao sorriso dado.
Hoje o evangelho aborda uma situação difícil nos dias atuais: a construção do Reino de Deus. Este é caminho de Jesus construído com dor, alegria e sofrimento. Por isso rezemos a Deus que se faz presente na nossa história, que Ele nos ajude, ele que foi manso e humilde de coração, a sermos, nós também, mansos construtores da paz.
Dom João Carlos Seneme,
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Bispo de Toledo