A previsão de um El Niño forte, com mais chuva no segundo semestre, acende um alerta para a nova safra de soja em Toledo e região. O plantio começa em setembro, e o excesso de água pode atrapalhar justamente a hora de plantar e o começo das lavouras.
Em entrevista ao Toledo News, o chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Paulo Roberto Salesse, disse que a chuva a mais pode causar transtorno no plantio e no desenvolvimento inicial da soja. Mesmo assim, ele afirmou acreditar que a região vai conseguir fazer um bom plantio e começar bem a nova safra, na hora certa.
O cenário apontado por Salesse também aparece nas previsões oficiais. Segundo nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de outros órgãos federais, há mais de 90% de chance de o El Niño seguir até pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de ficar muito forte. Para o trimestre de julho a setembro, a previsão é de chuva acima da média na Região Sul.
Segundo Salesse, o caminho é o produtor se organizar para plantar na janela certa, quando o clima deixar, e fazer isso com segurança. Ele lembrou que boa parte dos produtores da região está ligada a cooperativas ou a empresas de planejamento, com previsão do tempo atualizada e assistência técnica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).
"Hoje não cabe mais o produtor ser amador nessa atividade. Ele precisa estar atento aos eventos que estão vindo e que cada dia serão mais presentes na nossa vida", afirmou.
Para mostrar o que mudou, ele comparou a decisão de hoje com a de cerca de 25 anos atrás, quando o produtor olhava para o céu e apostava no tempo firme. "Se eu posso avançar na minha colheita hoje, eu vou colher. Não vou olhar para o céu e acreditar que não vai chover", disse.
O efeito da chuva a mais já aparece na colheita da segunda safra de milho. Segundo o chefe da Seab, as cooperativas estão cheias e o milho chega mais úmido, o que faz a secagem demorar mais, custar mais caro e travar o fluxo nas unidades que recebem os grãos. Ainda assim, ele acredita que não haverá perdas por causa do excesso de chuva e diz que a produtividade segue acima de 6.500 quilos por hectare.
A preocupação com o clima chega logo depois de uma safra de soja recorde na região, a melhor desde que a Secretaria acompanha a produção no Paraná. Para Salesse, o produtor convive com esse risco o tempo todo, porque a indústria do agricultor é a céu aberto. Mas, mesmo nos anos em que o clima não ajuda, a região tem conseguido colheitas capazes de cobrir os custos.
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