Pai é condenado a mais de 100 anos de prisão no PR após cometer abuso sexual contra filha como 'correção'


Foto: Agência Brasil
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Um homem de 51 anos foi condenado a 100 anos, nove meses e dez dias de prisão por crimes como estupro de vulnerável continuado, violência psicológica e vias de fato. De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a maioria dos crimes foram cometidos na casa do réu, em um sítio de Centenário do Sul, no norte do estado.

O nome do homem - que está preso desde o dia 9 de julho de 2025 - não foi divulgado. O julgamento aconteceu no dia 28 de dezembro de 2025, na Unidade Regionalizada de Plantão Judiciário de Porecatu, que fica a 28 quilômetros de distância da cidade em que os crimes foram registrados.

Conforme a denúncia do MP, os abusos iniciaram em 2010, quando a vítima tinha oito anos. O pai dormia no mesmo quarto que a filha e, "em diversas ocasiões, justificava os abusos como forma de correção".

Os abusos sexuais continuaram mesmo após o homem se casar, sendo o último registro em junho de 2025.

Além disso, a denúncia do MP relata que o homem causou dano emocional à filha ao controlar as ações, constranger, manipular, isolar, ameaçar e humilhar.

Em uma das ameaças, disse o MP, ele afirmou que iria matar a jovem caso ela o denunciasse. A filha era impedida de usar celular, usar roupas que desejava e ter amizades ou relacionamentos amorosos.

Crimes cometidos contra a filha, de acordo com o MP:

- estupro de vulnerável continuado, entre 2010 e 2016;

- estupro qualificado continuado, entre 2016 e 2020;

- estupro continuado, entre 2020 e junho de 2025;

- violência psicológica, entre junho de 2021 — quando entrou em vigor a lei que tipifica o crime — e junho de 2025;

- vias de fato, em junho de 2025.

Ex-companheira também foi vítima

Contra a ex-companheira, a denúncia informou que o homem cometeu diversos crimes entre 2024 e 2025. Em um dos episódios, ela precisou receber atendimento médico após ser agredida por ele.

A mulher era proibida de conversar com outras pessoas - mesmo no trabalho - e de manter contato com os filhos.

Crimes cometidos contra a ex-companheira, de acordo com o MP:

- estupro, em julho de 2025;

- violência psicológica, entre outubro de 2024 e junho de 2025;

- vias de fato, entre outubro de 2024 e julho de 2025.

Colega de trabalho ajudou a denunciar

Segundo o promotor Renato Sant Anna, a denúncia chegou por meio de uma pessoa que trabalhava com a jovem e soube da situação vivida por ela. O caso foi informado à Polícia Civil (PC-PR), que passou a investigar.

"Inicialmente uma mulher da delegacia fez o primeiro contato e ela topou conversar com o delegado. Depois a ex-companheira reafirmou e também narrou o que vinha sofrendo", contou o promotor.

A Justiça também determinou a destituição do poder familiar do réu em relação à filha. Ou seja, os direitos como pai foram retirados.

O promotor explicou que este é um "efeito automático da condenação" e ocorre mesmo quando a vítima tem mais de 18 anos.

Além disso, o homem deve pagar R$ 30 mil à filha e R$ 15 mil à ex-companheira por danos morais.

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