Convertei-vos e vinde a mim, pois sou bom, compassivo e clemente


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No Evangelho do domingo passado refletimos sobre uma parábola, e hoje (06) nos é apresentado um acontecimento. Trata-se de uma história de conversão. Jesus não lança nenhuma pedra; Ele aponta um caminho novo para a mulher e ela o acolhe e é perdoada. Há sempre alegria no céu por um pecador que se converte.

O evangelho deste 5º Domingo da Quaresma (Jo 08, 01-11) narra um episódio em que os fariseus e os mestres da lei apresentam uma mulher surpreendida em adultério e sugerem que Jesus aplique a lei de Moisés, que diz que ela deve ser apedrejada até a morte. 

O primeiro pensamento de Jesus seria perguntar onde se encontra o homem cúmplice, o adultério implica duas pessoas! Os fariseus e mestres da lei sabiam que a lei determinava que deviam ser apedrejados os dois, não somente a mulher. 

A atitude deles revela que se tratava de uma armadilha para Jesus. Não lhes interessava cumprir a lei, mas surpreender Jesus para que Ele se manifestasse contra a lei: “Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar”. De outro, queriam também desmoralizá-lo, uma vez que o centro de sua mensagem era o perdão.

Jesus consegue escapar da armadilha e revela o pecado de cada um, de modo que todos deixam o local humilhados porque todos eram pecadores e não podiam apontar o dedo na direção da pecadora. Lançar a pedra é cômodo. O “farisaísmo” é a doença de quem não se olha no espelho. Todos nós carregamos luzes e sombras e, muitas vezes, ocultamos o nosso lado pecador para apontar os pecados dos outros.

A conversão é um processo longo que exige empenho e esforço para agir como Jesus: “pensar como Jesus pensou”, “amar como Jesus amou, “perdoar como Jesus perdoou”.

No centro deste modo de pensar e viver está o perdão. Perdoar sempre: “setenta vezes sete”. A atitude de Jesus com os pecadores e pecadoras era sempre de compreensão, não condenava nunca, mas oferecia um convite à mudança de vida, a conversão: “Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor? Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. É o que Ele diz a cada um de nós nesta Quaresma.

Finalmente, o relato de hoje nos leva a pensar que os gestos e as palavras de Jesus vão além do fato de revelar a hipocrisia e maldade dos escribas e fariseus. Jesus nos convida a jogar fora as pedras que estão em nossas mãos e reconhecer que não há justos diante de um pecador, nem pecadores diante de justos. Há, ao contrário, pessoas na presença de outras pessoas chamadas a se reconhecerem, a se acolherem, e juntos caminharem na direção do amor misericordioso de Deus.

Deus constantemente nos convida à conversão com uma mensagem muito simples que ele tinha proclamado desde o início do seu ministério: “O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 01, 15). Estas são as mesmas palavras pronunciadas durante a imposição das cinzas, no primeiro dia da Quaresma.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

* As informações contidas nos artigos de colunistas, não necessáriamente, expressam a opinião do Toledo News.

Dom João Carlos Seneme

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo. Novos conteúdos são publicados semanalmente.

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