Vereadoras presidem metade das Comissões Permanentes da Câmara de Toledo

40 anos: em quatro décadas de existência da Câmara Municipal, uma mulher recebeu os votos necessários para conquistar mandato eletivo como vereadora em Toledo, pela primeira vez, apenas na eleição para a 10ª Legislatura. Entre a posse em 14 de dezembro de 1952 – 1ª Sessão da história – e as eleições do dia 03 de outubro de 1992, nenhuma vereadora havia sido escolhida para representar oficialmente a comunidade toledana em discussões do âmbito legislativo. No período, homens foram eleitos 93 vezes. Com 587 votos, Maria Cecília Ferreira se tornou a primeira mulher eleita vereadora na cidade, com mandato entre 1993 e 1996.
Ao imaginar a linha do tempo de mais de 72 anos do município, a representação feminina é recente. As mulheres passaram a ocupar cadeiras legislativas nos últimos 33 anos de forma permanente – entretanto, apenas homens foram eleitos em 2008, para a 14ª Legislatura (2009-2012). Dez mulheres diferentes elegeram-se vereadoras na história de Toledo. A luta pela igualdade de oportunidades na política avança, mesmo que a representação ainda seja discrepante com a realidade.
Segundo o último Censo (2022) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a população de Toledo é de 150.470 habitantes. O número é composto por 77.023 mulheres e 73.447 homens. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, os aptos a votar em 2024 dividiam-se em 56.441 mulheres e 50.670 homens. Mesmo com maioria feminina no eleitorado e na população, apenas 3 das 19 cadeiras da Câmara de Toledo são ocupadas por mulheres. Olinda Fiorentin (PSD), Professora Marli (MDB) e Katchi Nascimento são as representantes.
Pela primeira vez na história da Câmara, as mulheres presidem três das seis Comissões Permanentes no mesmo biênio (2025-2026). Olinda Fiorentin é a presidente da Comissão de Seguridade Social e Cidadania (CSS); Professora Marli comanda a Comissão de Educação, Cultura e Desporto (CEC); e Katchi Nascimento é a presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos (CTA).
As comissões são órgãos de deliberação da Câmara de Toledo. Após a indicação dos vereadores pelos blocos parlamentares, os integrantes de cada eixo definem o presidente. A posição principal em três comissões diferentes é uma demonstração do respeito adquirido pelas parlamentares, segundo Professora Marli. “A gente conseguiu alcançar pelo poder de articulação e pelo respeito que as três mulheres têm conquistado durante essa caminhada (...) Dá muita diferença ter uma mulher discutindo uma política educacional, de saúde e da assistência. Nós somos mais minuciosas e vivemos mais no dia a dia a falta de políticas públicas em relação a essas áreas. Quem sente a falta de professores, de médicos e de políticas públicas sociais, são as mulheres que vivem isso na pele”, afirma a vereadora.
Na opinião de Katchi Nascimento, as dez vereadoras eleitas que passaram pelo Legislativo – retratadas na Galeria Lilás – desobstruíram o trajeto até a conquista do espaço. “Foi um grande avanço. Somos privilegiadas de estar nesse momento na política, em que finalmente alcançamos as presidências de comissões. Tivemos a valorização dos nossos colegas homens para isso também. As vereadoras que passaram pelo Legislativo ajudaram a pavimentar esse caminho. Muitas de nós, nos inspiramos nelas. Se era possível ter mulheres aqui, vamos batalhar por isso. O exemplo que elas deram fez com que a gente entrasse na política e pudesse, cada vez mais, lutar por valorização”, destaca a parlamentar.
Remanescente da Legislatura passada e única mulher eleita três vezes seguidas para o cargo em Toledo, Olinda Fiorentin destaca que, apesar dos avanços, os obstáculos são diários pela manutenção do espaço conquistado. “Os desafios são inúmeros. Como sempre digo, tivemos conquistas, mas a caminhada ainda é muito longa. Percebemos a diferença com que as mulheres que ocupam os mesmos cargos políticos são tratadas. A desigualdade existe até mesmo na seriedade com que pautas levantadas por mulheres são tratadas, em comparação aos homens, quando abordam os mesmos temas. O espaço para a mulher, é conquistado sempre, através de muita luta e, frequentemente, é acompanhado de muito enfrentamento e debate. Isso, para conquistar determinado espaço. Depois, a luta é no dia a dia, para ter voz e vez continuamente”.
Recado para futuras gerações
Durante o mês de março, a Câmara de Toledo promoveu ações para incentivar e valorizar a participação feminina na política. Destacam-se a inauguração da Galeria Lilás e a aprovação do Projeto de Resolução que cria a Procuradoria da Mulher no âmbito do Poder Legislativo.
Para Olinda Fiorentin, autora da iniciativa que implementou a Galeria Lilás, esses movimentos institucionais permitem a entrada de mais mulheres na política e contribuem para a equidade de gênero. “O que precisamos é avançar, abrindo mais espaço para as mulheres na política, inclusive com ações na Câmara de Vereadores voltadas às mulheres que desejam se candidatar nas próximas eleições, para que adquiram conhecimento necessário que dê mais força a elas. Lembrando que temos mulheres incríveis e muito atuantes em diversos segmentos da nossa sociedade e que poderiam estar na Câmara de Vereadores”, enfatiza a vereadora.
Em seu primeiro mandato, Katchi Nascimento reforça que, diante do panorama atual, a confiança de eleitoras poderia ser maior em candidatas. “Hoje, ainda temos muitas mulheres que preferem votar em homens. Não gosto dessa diferenciação. Gosto que as pessoas das votem pela capacidade, pela qualidade e pela confiança que o candidato passa, mas eu gostaria que mais mulheres confiassem nas mulheres candidatas”.
No primeiro biênio da 18ª Legislatura, de forma inédita, uma mulher ocupa o cargo de 1ª vice-presidente da Mesa. Professora Marli ocupa a importante cadeira. Desde a fundação da Câmara de Toledo, é apenas a sexta mulher a ocupar uma das cinco vagas do órgão. Maria de Fátima Campagnolo, entre 1997/1998, foi a única presidente. A última representante mulher havia sido Olinda Fiorentin, 1ª secretária no biênio 2017-2018. Também integraram a Mesa: Maria Cecília Ferreira, 2ª secretária no biênio 1993-1994; Florinda Oliveira, 1ª secretária no biênio 2001-2002; e Sueli Guerra, 1ª secretária no biênio 2013-2014.
Atual 1ª vice-presidente, Professora Marli evidencia a cobrança excessiva e a responsabilidade que mulheres enfrentam em posições de destaque na política. "Nós, mulheres, não podemos errar. A mulher quando erra tem sua chance findada logo na sequência. Temos uma responsabilidade muito grande. Isso é cobrado até hoje. Aos poucos, essa mentalidade está mudando. Esses debates são muito importantes. Tem que se falar, sim, sobre a violência contra a mulher. Não só a violência física, psicológica, mas também a violência política", conclui a vereadora.




















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